Caiu no vazio o pedido de trégua feito pelo governador Tarso Genro aos aliados: além de pautar a sessão da Assembleia na terça-feira, a polêmica da ERS-010 empurrou o PSB para um pouco mais longe do PT e do governo. O discurso do deputado Miki Breier, reclamando das críticas de um integrante do Piratini ao ex-secretário Beto Albuquerque, reforçou a impressão de que o PSB está a um passo de deixar o governo para pavimentar um caminho diferente do esperado por Tarso na eleição de 2014.
A tentativa do deputado Raul Pont de acalmar o PSB jogando a culpa na mídia – no caso, a Página 10, que publicou a manifestação de um alto prócer do governo contra Beto Albuquerque – deixou os socialistas ainda mais irritados. Pont disse que não se devia dar crédito a declarações de fontes anônimas e classificou como intriga a publicação das críticas à gestão de Beto, tratado por setores do Piratini como responsável pelo atraso no projeto da ERS-010.
Irritado, Miki voltou à tribuna para lembrar a Pont que, se o governador Tarso Genro discordasse do que foi publicado, deveria ter desautorizado seu “assessor anônimo”. Como não desautorizou, acabou avalizando as críticas, na interpretação do deputado socialista.
De fato, Tarso teve tempo para retificar as declarações de um membro da cúpula do Piratini, mas não o fez. Teve o cuidado de tranquilizar os prefeitos da Região Metropolitana, garantindo que serão os primeiros a conhecer os termos do acordo que está sendo negociado com a Odebrecht, mas não gastou energia em recompor as relações com Beto, desgastadas desde antes da saída do deputado da Secretaria de Infraestrutura.
A verdade é que Beto nunca conseguiu conquistar a confiança do PT. Na formação do governo, os petistas queriam fatiar a Secretaria de Infraestrutura, mas Beto condicionou sua participação no governo à manutenção do poder que a pasta concentra. Ganhou, mas logo atritou-se com os indicados pelo PT para a diretoria do Daer e passou quase dois anos queixando-se do “fogo amigo”. Nas negociações com as concessionárias de pedágio, novo atrito. Quando Beto saiu, cogitou-se novamente desdobrar a secretaria em duas ou de entregá-la ao PDT, mas Tarso nomeou Caleb de Oliveira – a despeito de sua escassa afinidade com a área – imaginando que, com o presidente do PSB na secretaria, o partido estaria sob controle.
Não funcionou. Com votos e influência, Beto segue como principal líder do PSB gaúcho – que voltará a presidir em março – e aumentou ainda mais o seu cacife por estar à frente das articulações pela candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República.







