Anos de chumbo08/02/2013 | 05h48

Comissão Nacional da Verdade avança com dificuldade no esclarecimento de crimes da ditadura

Criado há nove meses, grupo esbarra na falta de documentos e enfrenta resistências

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Pressionada entre a expectativa das famílias de desaparecidos e a contrariedade de militares, a Comissão Nacional da Verdade avança com dificuldade no esclarecimento de crimes cometidos pela ditadura (1964-1985).

O grupo está prestes a completar nove meses de um cronograma de dois anos de trabalho.

Saiba mais
Confira entrevista com Claudio Fonteles,
coordenador da Comissão Nacional da Verdade

Neste período, a equipe produziu resultados pontuais, mas de impacto, como o desmonte da versão oficial para o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva. Documentos divulgados nesta semana pelo coordenador da comissão, Claudio Fonteles, desfazem a tese de fuga e indicam que o parlamentar morreu no DOI-Codi do Rio.

Em novembro, a comissão responsabilizou 11 agentes do Estado, militares e civis, pela morte sob tortura de cinco militantes de esquerda. À época, Fonteles também afirmou que o guerrilheiro Carlos Marighella foi morto sem esboçar reação, ao contrário da versão oficial.

A principal fonte da comissão tem sido o Arquivo Nacional, que abriga registros do Serviço Nacional de Informações (SNI). O acesso aos documentos militares, porém, é limitado: o grupo precisa encaminhar às Forças Armadas pedidos de informações, nem sempre bem sucedidos.

— Havia até quem dizia que era uma comissão que não acrescentaria nada do ponto de vista de fatos que já estavam sepultados. Esse fato mostra que a comissão foi bem-vinda — disse na quinta-feira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, referindo-se às apurações sobre a morte de Rubens Paiva.

Ainda assim, alguns familiares de vítimas da repressão estão insatisfeitos com a falta de resultados práticos e um suposto caráter acadêmico da comissão. Eles afirmam que a equipe gasta muito tempo em casos que já estariam esclarecidos.

— Essa questão histórica é importante, mas não é só isso. Fonteles é um deslumbrado. Ele foi no programa da Miriam Leitão e abria as gavetas dos arquivos dizendo: “venham pesquisar”. Mas isso já foi feito por milhares de pesquisadores. Parece que o Brasil não tem pesquisador. Isso desgasta as pessoas, é um desgaste emocional muito grande — reclama a presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Victória Lavínia Grabois Olímpio.

Já o ativista Jair Krischke, do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, é mais contido. Defende a ampliação do prazo para que a equipe tenha mais tempo e estrutura para trabalhar.

— Em dois anos, a comissão não vai produzir o que o povo brasileiro merece — diz Krischke.

Comentar esta matéria Comentários (2)

José

Os generais têm que ser presos, porque estão escondendo documentos importantes, que esclarecem crimes militares. A Comissão tem que enfrentar este problema urgentemente. Também penso que o prazo de dois anos é muito curto para apurar muitíssimos casos de mortes e desaparecimentos de guerrilheiros.

08/02/2013 | 13h17 Denunciar

Jose Francisco Warth

Me parece obvio que a Comissao da Verdade tera dificuldades imensas em encontrar documentos comprobatorios. O circo da ditadura ao ser desmanchado tomou o devido cuidado de esconder ao maximo as provas dos interrogatorios. O caso R. Paiva quase que por um milagre divino veio a tona.Havera outro?

08/02/2013 | 12h49 Denunciar

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