Ao empossar na terça-feira os novos integrantes do Conselhão, o governador Tarso Genro deu ao colegiado uma tarefa árdua.
Caberá ao grupo intermediar sete audiências públicas pelo Interior para definir os detalhes do novo modelo de pedágios, incluindo o valor das tarifas e os serviços oferecidos.
Das atuais 27 praças — espalhadas por sete polos privados —, sobrarão apenas 11, cuja administração será transferida para a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), estatal criada pelo Piratini. As reuniões com as comunidades para decidir o futuro de cada um dos pontos estão marcadas para março, abril e maio. No mesmo período (entre março e junho), se encerram as atuais concessões. Mesmo com tempo reduzido entre a definição das tarifas e o início das operações, o governo espera chegar a um consenso.
— Os pedágios serão públicos. Por isso, entendemos que é justo ouvir as comunidades. Se houver algum contratempo, adotaremos as tarifas definidas pela EGR num primeiro momento, mas depois faremos as adequações necessárias — diz o presidente da estatal, Luiz Carlos Bertotto.
Os encontros serão em diferentes cidades. Mesmo Carazinho e Vacaria, que terão seus polos extintos por envolverem somente rodovias federais, receberão audiências públicas. A intenção, nesses casos, é confirmar a abertura definitiva das cancelas.
Serviços nas praças serão definidos pelas comunidades
Nas demais reuniões, integrantes da EGR apresentarão uma proposta inicial de valores. As reduções, segundo Bertotto, podem chegar a 25%. Ou seja: tarifas que hoje custam R$ 7 passarão a R$ 5,25. O preço final, no entanto, dependerá do que cada região definir como prioridade, desde obras de duplicação a socorro médico e mecânico. Quanto mais serviços e obras forem reivindicados, maior será o preço na tabela.
Em março do ano passado, quando a tarifa estava em R$ 6,70 as concessionárias chegaram a acenar com uma redução para R$ 4. Em julho, já decidido por transferir os serviços para a EGR, o governo calculava uma tarifa de R$ 4,70.
Embora o Piratini assegure que não haverá falhas na conservação das estradas, as empresas encarregadas do trabalho ainda não foram contratadas — sequer foram lançadas as licitações.
Renovação no colegiado é de 30%
Entre os 27 novos conselheiros anunciados na terça-feira pelo governador Tarso Genro estão nomes conhecidos do meio artístico, literário e acadêmico gaúcho.
Um deles é o da atriz Deborah Finocchiaro, estrela da peça Pois É,
Vizinha..., uma das mais premiadas do cenário teatral do Rio Grande do Sul e do Brasil. O espetáculo estreou em 1993 e rodou o país, com mais de 500 apresentações.
Outro nome que chama atenção entre os novatos do Conselhão é o da jovem escritora Luisa Geisler. Em 2012, aos 21 anos, ela foi escolhida para integrar a coletânea de contos da consagrada revista britânica Granta. É uma das apostas de sua geração.
No meio acadêmico, o destaque é o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto. O médico foi reeleito no ano passado para o cargo.
Ao todo, o órgão consultivo criado por Tarso conta com 90 membros fixos. A dança das cadeiras só foi possível porque antigos integrantes decidiram deixar o grupo. Os motivos seriam de ordem pessoal, como falta de tempo e distância — alguns eram do Interior. Tanto governo quanto ex-conselheiros negam a existência de crise.
— Não houve nenhum problema, apenas decidimos oportunizar que outras pessoas também pudessem participar. Recebemos 300 pedidos — diz o secretário executivo do Conselhão, Marcelo Danéris.








