Opinião18/01/2013 | 03h57

Rosane de Oliveira: "Preocupação no ar"

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À boa notícia de que o Estado está preocupado em planejar o futuro e, por isso, encomendou junto com entidades empresariais o estudo de viabilidade de um novo aeroporto internacional, sobreveio a preocupação. Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade, o consultor Carlos Biedermann, da PwC, que fez o trabalho, expressou a opinião de que para um novo aeroporto na Região Metropolitana ser economicamente viável não pode ter a concorrência de outro capaz de receber aviões de carga. Embora o estudo seja preliminar, a declaração do consultor foi suficiente para acender a luz amarela em Caxias do Sul, que trabalha pela construção de um aeroporto na Vila Oliva capaz de receber aviões de carga.

Mesmo que sejam projetos distintos, e o terminal de Caxias não se compare às dimensões do aeroporto internacional imaginado para Região Metropolitana, é preocupante saber que ele só será viável se não tiver a concorrência do Salgado Filho e do de Vila Oliva. Porque sem a ampliação da pista do Salgado Filho e sem a construção de um aeroporto de grande porte na Serra, o Rio Grande do Sul passará os próximos 15 ou 20 anos tendo de exportar seus produtos por outros Estados.

O secretário do Planejamento, João Motta, garante que não há motivo para pânico:

– Os estudos são preliminares e nos dão mais de uma opção. Temos um bom problema. O importante é que temos um estudo mostrando que o novo aeroporto é viável.

A indefinição em relação à ampliação da pista do Salgado Filho, considerada cada vez mais improvável, é um retrato da falta de planejamento e da incapacidade gerencial do setor público brasileiro. Há 12 anos, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso inaugurou o terminal que hoje já está com a capacidade esgotada, anunciou a ampliação para receber aviões de carga. Vendeu-se a ideia de que bastava a prefeitura retirar os moradores da Vila Dique e Nazaré que a nova pista se materializaria em poucos meses.

Anos depois, a prefeitura limpou a área, mas a ampliação esbarrou na constatação de que as condições do terreno exigiam investimentos superiores aos previstos. Hoje, poucos acreditam que a extensão venha a ser feita, até por que o aeroporto está praticamente no centro da cidade e, cedo ou tarde, terá de ser construído outro em uma área mais ampla. Se tomar por base a duplicação da BR-101, entre Osório e Florianópolis, anunciada no governo Fernando Henrique, iniciada na gestão de Lula e até hoje inconclusa, são desanimadoras as perspectivas para a o Rio Grande do Sul ter um aeroporto capaz de ser usado para o escoamento da sua produção.

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Militao de Maya Ricardo

A insistência do consultor em fechar o Salgado Filho deve ser analisada à luz dos interesses da indústria imobiliária no bairro Humaitá (rota de aproximação dos aviões), junto à Arena do Grêmio e na própria área do Salgado filho. Fora o desejo de monopolizar os serviços. Sugiro investigação.

18/01/2013 | 11h26 Denunciar

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