Depois de tomar posse na Câmara tendo recebido apenas um voto — o dela —, a agricultora Juvina Camargo Duarte (PMDB) virou o principal tema de comentários em Lajeado do Bugre, no norte do Estado.
Nas rodas de chimarrão da cidade de quase 2,5 mil habitantes, moradores têm opiniões divididas. Há os que têm dúvida sobre a capacidade da vereadora. Outros oferecem um voto de confiança. Juvina iniciará as atividades no dia 19 de fevereiro.
— A posse foi justa, porque a lei é assim, mas não sabemos se ela está preparada. Deveria entrar quem recebeu mais votos — comenta o comerciante Volmir Nunes, 40 anos.
A vizinha Belmira Bueno Brizola, 68 anos, acredita que ela trabalhará para auxiliar as comunidades da zona rural:
— Quem votou no marido dela com certeza gostaria que ela ficasse no lugar dele, para trabalhar pelos agricultores.
O paradeiro de Juvina na quinta-feira fomentou mistério em Lajeado do Bugre. Poucos arriscavam um palpite, e os mais ousados diziam que ela viajara a Porto Alegre. Procurada em casa por ZH, a vereadora preferiu não dar entrevistas, e a família chegou a afirmar que ela não estava lá.
Diretor da secretaria da Câmara de Vereadores há 16 anos, Roberto Maciel Santos afirma que a posse de Juvina, no dia 9 de janeiro, despertou curiosidade no município.
— É um fato curioso, que nunca aconteceu aqui. Agora todos vão ficar atentos ao trabalho que ela fará.
Suplente que obteve três eleitores recusou cargo
Terceira suplente da coligação, Juvina Camargo Duarte assumiu uma das nove vagas na Câmara no lugar do marido, Everaldo de Moraes da Silva, também peemedebista, que havia sido eleito com 122 votos. Silva saiu depois de aceitar convite do prefeito Olnei Luis Pietrobelli (PDT) para assumir a Secretaria de Agricultura.
O primeiro suplente, Odilon Bueno da Silva (PDT), que recebeu 108 votos, também preferiu trabalhar para o Executivo, como titular da pasta de Planejamento. Foi a desistência da segunda suplente da coligação, Solange Goulart dos Santos (PTB), que fez Juvina ficar com a vaga:
— Quando concorri, não fiz muita campanha e só recebi meu próprio voto e dos meus pais — comenta a funcionária pública.
Quando foi chamada para assumir a vaga no Legislativo, tinha acabado de enfrentar a morte de um tio e julgou não estar preparada para a nova função.













