Reviravolta em Novo Hamburgo10/01/2013 | 13h32Atualizada em 10/01/2013 | 20h52

“Não posso pedir votos para alguém que não será candidato”

Vice-prefeita no governo de Tarcísio Zimmermann (PT), Lorena Mayer (PDT) será candidata ao mesmo cargo na chapa oposicionista

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“Não posso pedir votos para alguém que não será candidato” Charles Dias/Especial
Lorena passou dia em reuniões no diretório municipal do PDT Foto: Charles Dias / Especial
Considerado até então um coadjuvante nas eleições municipais de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, o PDT ganhou ares de protagonista na noite desta quarta-feira. Depois de passar quatro anos no governo de Tarcísio Zimmermann, e de estar ao lado do PT nas eleições de outubro, o partido decidiu apoiar o candidato da oposição Paulo Kopschina (PMDB) na nova eleição.

Com isso, Lorena Mayer (PDT), vice-prefeita que até pouco mais de três meses atrás estava em campanha pelo PT, será candidata a vice na chapa de oposição. Considerando sua opção como “coerente” com o que sempre afirmou, a pedetista explicou a Zero Hora o que a fez mudar de lado.

Zero Hora — O que aconteceu de nos últimos 93 dias que fez com que a senhora mudasse de lado?

Lorena Mayer — Mudou o candidato do PT. Mesmo anunciando que Tarcísio será candidato, o partido não vai poder mantê-lo. Não posso sair pedindo votos para uma pessoa que não poderá concorrer. Não posso aceitar que ele saia dizendo que é candidato, quando todo mundo sabe que não é. Isso seria um desrespeito com o povo.

ZH — Mas na eleição isso aconteceu. A senhora esteve ao lado do prefeito mesmo com a dúvida se ele poderia concorrer.

Lorena — Mas era apenas uma dúvida. Havia uma forte possibilidade de que ele ganhasse o registro. Agora não. O candidato deles será o Luis Lauermann, que, na nossa opinião, é um candidato fraco, tanto nas urnas, como para governar a cidade.

ZH — Se o candidato fosse Zimmermann a senhora estaria com ele?

Lorena — Se ele pudesse concorrer, sim. Eu sempre disse isso, não é nada de novo. Tarcísio fez um bom governo, é uma pessoa honesta e trabalhadora. Seria a vice dele de novo, sem problema. Foi uma imposição da Justiça, não tenho culpa de ele não poder concorrer, mas não posso concordar com o candidato que ele escolheu. O PT não consultou o PDT, nem a mim, para escolher Lauermann, e não o aceitamos como candidato.

ZH — A senhora diz que o PT fez um bom governo, mas agora vai se opor a esse projeto. É isso?

Lorena — O PT não governou sozinho. O PDT ajudou a trazer recursos, a formular projetos. Foi um bom governo, sim, e isso o próprio Kopschina admite. O PMDB critica porque esse é o papel da oposição, mas teve muita coisa boa. Mas, se o PT ganhar, vai ser com o Lauermann, que a gente sequer sabe se é de Novo Hamburgo, de Ivoti ou de Igrejinha. Ele não se definiu. Não vai ser o mesmo governo.

ZH — Como a população vai conseguir entender essa sua posição, de dizer que um governo foi bom e ser oposição a ele?

Lorena — Minha posição é coerente, todo mundo sabe que eu não seria vice do Lauermann. Nosso objetivo não é desconstruir o governo que foi feito, mas mostrar alternativas para melhorar ainda mais. Tenho convicção de que Kopschina será um prefeito muito melhor do que Lauermann.

ZH — A votação no PDT foi apertada (24 a 21). O partido sai rachado?

Lorena — Em 2008, tivemos essa mesma votação, e a determinação de apoiar o PT na época também deixou algumas pessoas desconfortáveis. O próprio prefeito interino, Antonio Lucas, era um dos que queriam o PMDB, e agora ficou chateado porque queria ficar com o PT, uma mudança que ninguém entendeu. É normal que haja um estremecimento, mas o PDT estará unido na campanha.

ZH — O presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr., questionou a escolha. Pode haver ainda alguma mudança imposta pelo diretório estadual?

Lorena — Não. Foi uma decisão democrática do diretório municipal, legítima. Havia dois vice-presidentes da executiva estadual aqui na reunião. Eles assinaram a ata e entenderam nossa decisão.

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