Ao confirmar ontem o ingresso na base aliada do governo José Fortunati, o vereador Airto Ferronato, que se reuniu o vice-prefeito Sebastião Melo para comunicar a aliança, abriu um leque de possibilidades políticas para o futuro do PSB.
A sigla, que até então vislumbrava o apoio à reeleição de Tarso Genro como única opção em 2014, passou a prospectar aliança com o PDT de Fortunati ou candidatura própria ao Piratini.
O cenário político gaúcho, que parecia cristalizado com candidaturas de PT, PP e PMDB, foi novamente embaralhado.
A aproximação com o PDT na Capital está, em primeiro lugar, alinhada à possibilidade de o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, concorrer à Presidência. Se ele lançar candidatura, precisará de palanque nos Estados. Como o PT de Tarso se empenhará na reeleição de Dilma Rousseff, a união entre PSB e PDT seria alternativa para fortalecer Campos no Sul. A parceria entre as siglas também está sendo costurada em nível federal.
— Essa aproximação é estratégica no Estado e no país. No tempo certo, vamos exercitar a possibilidade de tomar decisões com o PDT — afirma o deputado federal Beto Albuquerque (PSB).
No entanto, motivos que vão além das pretensões de chegar ao Palácio do Planalto levam o PSB a construir afinidades com o PDT. Os socialistas avaliam que a aliança com os pedetistas em 2014 é uma alternativa para "pular da barca" caso o governo Tarso não deslanche.
No momento, interessa ao PSB viabilizar o seu projeto nacional, se descolar do estigma de viver à sombra do PT gaúcho com a busca de novos aliados e garantir uma vaga para Beto disputar o Senado em 2014. Os resultados das articulações se moldam de forma alarmante para Tarso, que, além de correr o risco de perder o PSB, considerado "aliado de primeira hora", poderá ficar sem a sonhada aliança com os pedetistas.
Vice articulou ingresso do novo aliado
Tradicionalmente em lados opostos nas principais disputas eleitorais no Estado, PSB e PDT contaram com a habilidade política de um peemedebista para selar a aproximação.
No início de novembro, na Câmara, os vereadores Airto Ferronato (PSB), escolhido para liderar o governo Fortunati no Legislativo, e Sebastião Melo (PMDB), então vice-prefeito eleito, fizeram, ainda informalmente, a primeira rodada de negociações. Dias depois, almoçaram juntos em um restaurante.
Reuniões se sucederam por semanas, até que o convite oficial para o ingresso na base veio em 27 de dezembro, em um encontro que reuniu líderes como os deputados federais Beto Albuquerque (PSB) e Vieira da Cunha (PDT). Líder do partido, Beto coordenou, mesmo de longe, todos os movimentos de aproximação com o PDT. Apoiador de Manuela D'Ávila na campanha, o PSB rebate qualquer possibilidade de enfraquecimento nas relações com o PC do B devido à aliança com Fortunati.













