Centro de denúncias envolvendo direcionamento de obras e emendas de seu gabinete, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) rebateu as acusações nesta terça-feira, em almoço com correligionários e parlamentares gaúchos na zona norte de Porto Alegre. O peemedebista, favorito para assumir a presidência da Câmara no lugar de Marco Maia (PT), garantiu que "nunca direcionou" obras e que a responsabilidade por fiscalizar o destino das verbas não é sua. Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, um assessor do deputado - que pediu exoneração - é dono de uma empresa que recebeu dinheiro de emendas do próprio Alves.
— Eu trato há 42 anos de encaminhar solicitações dos municípios do meu Estado, que são 167. Só o PMDB, tem geralmente uma média de 40 a 60 prefeituras. Até aí, é a minha ação política. A partir daí, eu não cuido. Quem cuida são os órgãos públicos, de fiscalização. Isso eu não cuido, porque não é a minha tarefa — justificou.
Sobre o fato de o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), controlado politicamente por Alves, ter repassado mais R$ 1,2 milhão para a mesma empresa por meio de prefeituras, voltou a negar envolvimento:
— Imagina o que eu já consegui para o meu Estado através de tantos e tantos governos. Mas, nunca direcionando obras. Não é a minha tarefa cuidar disso. Minha tarefa é conseguir o recurso para atender aos reclames, carências e expectativas do meu Estado, e isso tenho feito bem, porque senão não teria 11 mandatos consecutivos — explicou.
Henrique Alves iniciou nesta terça uma série de visitas a 12 Estados. O deputado se reuniu com parlamentares do PMDB e de outras bancadas para pedir votos na eleição de fevereiro. Na conversa, disse que começou a peregrinação pelo Rio Grande do Sul porque "é o Estado que prima pela ética". Invocando a sua experiência na Casa e o passado político da família - Alves é filho do ex-governador do Rio Grande do Norte Aluísio Alves e sobrinho do ministro da Previdência, Garibaldi Alves - afirmou que pretende mudar a forma como a sociedade enxerga o parlamento e como os deputados são tratados pelo Executivo.
— Há um desrespeito ao parlamento. Quero que nós possamos nos orgulhar de sermos parlamentares — discursou.
O candidato à presidência da Câmara seguiu viagem para o Paraná ainda nesta terça-feira, após encontro com o governador Tarso Genro.













