Afetado por uma crise energética que carrega consigo ameaças de apagão, o Brasil dá sinais de que está contaminado pela má gestão. Para além da iminente insuficiência de energia, impregnada pelo risco de severas perdas econômicas, um novo fato que está por vir mostra a debilidade do país para administrar o setor: a CGTEE, gestora das usinas gaúchas de geração térmica de energia a partir do carvão mineral, irá anunciar no dia 27 de fevereiro um déficit de cerca de R$ 400 milhões em 2012.
Ligada ao Ministério de Minas e Energia, a CGTEE sofreu tamanho revés porque enfrentou problemas técnicos nas fases A, B e C das usinas de Candiota. A produção caiu e, para cumprir os contratos de geração e repasse de energia ao sistema nacional, a estatal teve de ir ao mercado para comprar a produção de outras empresas. O prejuízo foi multiplicado devido às multas aplicadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que penalizou a CGTEE por ter dado brechas às falhas que aviltaram a produção.
Não bastasse estar no vermelho, a empresa deverá fechar, em dezembro de 2013, a fase A da usina de Candiota. As instalações são muito antigas e demandariam investimentos elevados para a adequação ambiental, além da baixa geração de energia. Qual será o futuro dessa estatal? É incerto. Sabe-se, apenas, que ela pagará o seu déficit com recursos públicos. Excluído dos leilões de energia desde 2009 — o governo federal alega que precisa cumprir compromissos internacionais de redução da emissão de poluentes —, o carvão mineral passa por situação de abandono. E as instituições do setor afundam.
A notícia é péssima para o Rio Grande do Sul, que detém 90% das reservas de carvão mineral do país. O empresário Eike Batista quer abrir uma termelétrica no Estado, investimento de cerca de R$ 4 bilhões, mas não o faz porque o governo federal não compra mais energia a carvão mineral dos gaúchos.
O Palácio do Planalto parece titubeante. Não investe maciçamente em energias limpas, como a eólica e a solar, e discrimina o carvão mineral. Segue apostando nas hidrelétricas — Belo Monte é exemplo —, que dependem das chuvas. Para repelir a ideia de crise, não aprofunda campanhas de conscientização do uso racional de energia. O resultado de uma gestão equivocada se traduz no cotidiano.








