Desde o fim de semana, a candidatura de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara dos Deputados vem sofrendo avarias. O peemedebista está no centro de três novas denúncias. Por conta de duas delas, um assessor do parlamentar pediu demissão do cargo nesta segunda-feira.
A saída foi uma forma de reduzir a pressão sobre Alves, que está em campanha para suceder Marco Maia (PT-RS) no comando da Casa. Nesta terça-feira, o peemedebista estará em Porto Alegre para participar de um encontro com deputados e políticos locais.
Alves é o favorito para ser eleito presidente da Câmara na eleição de fevereiro, com o apoio da base aliada, da presidente Dilma Rousseff e de partidos de oposição. Nos bastidores do PMDB, as denúncias são tratadas como fogo amigo.
Assessor de Alves desde 1998, Aluizio Dutra de Almeida pediu exoneração depois de o jornal Folha de S.Paulo informar que ele é dono de uma empresa que recebeu dinheiro público de emendas parlamentares do próprio Alves. Ele é sócio da Bonacci Engenharia e Comércio Ltda. Conforme o jornal, pelo menos três prefeituras do Rio Grande do Norte contrataram a empresa por meio de emendas indicadas pelo chefe.
O jornal divulgou ainda que o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), controlado politicamente pelo deputado, repassou mais R$ 1,2 milhão para a mesma empresa por meio de prefeituras.
Já o jornal O Estado de S. Paulo divulgou que Alves estaria protelando, com recursos, investigação em curso no Ministério Público Federal que apura denúncia de enriquecimento ilícito numa ação de improbidade.
Segundo o Ministério Público, o deputado manteve ilegalmente dinheiro fora do país. No processo de separação judicial do deputado, sua ex-mulher o acusou de manter US$ 15 milhões no Exterior.
AS DENÚNCIAS CONTRA O PARLAMENTAR
Verba de emendas
— Emendas do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), beneficiaram empresa de um assessor do gabinete do próprio deputado.
— Aluizio Dutra de Almeida trabalha com Alves na Câmara desde 1998, é tesoureiro do PMDB em Natal, partido presidido pelo deputado, e sócio da Bonacci Engenharia e Comércio.
— A reportagem da Folha de S.Paulo identificou pelo menos três prefeituras do Rio Grande do Norte que contrataram a Bonacci com recursos de emendas de Alves. Na época da contratação, os prefeitos eram do PMDB. Somados, os contratos chegam a cerca de R$ 480 mil.
Contrapontos
Por meio da assessoria, Alves negou irregularidade. Já Almeida afirmou que participou de concorrências, a tomada de preço, que é um modelo mais simplificado de licitação.
Verba de ministério
— A Bonacci, empresa do assessor de Alves, recebeu R$ 1,2 milhão do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
— Segundo a Folha de S.Paulo, o Dnocs é politicamente controlado pelo deputado, que indicou o atual diretor-geral, Emerson Fernandes Daniel Júnior, e o anterior, Elias Fernandes, ambos do Rio Grande do Norte.
— A influência do deputado no órgão existe desde 2007. De lá para cá, o Dnocs fez convênios com as cidades de Alto do Rodrigues, São João do Sabugi e Coronel Ezequiel, na área de combate a desastres, como a construção de barragens.
Contrapontos
Por meio da assessoria, Alves negou irregularidade. O diretor-geral do Dnocs, Emerson Daniel Júnior, negou interferência do deputado nos convênios do órgão.
Aluguel de veículos
— Com recursos da Câmara, Alves gasta mensalmente R$ 8,3 mil no aluguel de automóveis. Segundo a revista Veja, ele contratou uma empresa de aluguel registrada em nome de laranja.
— De acordo com a reportagem, a Global Transportes tem como endereço uma casa na periferia de Brasília. No papel, pertence à ex-vendedora de tapetes Viviane dos Santos. À revista, Viviane disse nem saber da existência de contrato com o deputado.
— Viviane disse que emprestou o nome a uma tia e que a empresa não possui um carro sequer. A tia de Viviane, Kelen Gomes, disse que os carros são arranjados com terceiros e alugados.
Contrapontos
Alves primeiro disse que, em Brasília, utiliza carro próprio. Depois, corrigiu-se afirmando que o carro é alugado. Um funcionário disse que o próprio Alves mandou contratar a Global.












