Gaúcho de Santo Ângelo, ex-vereador e ex-deputado estadual e federal, Augusto Nardes toma posse na tarde desta terça-feira como presidente do Tribunal de Contas da União (TCU). Aos 60 anos, o ministro comandará o órgão no próximo ano com o desafio de aprimorar a gestão pública em áreas como educação, saúde e ambiente. Em seu gabinete, Nardes recebeu Zero Hora para uma conversa. A síntese:
Zero Hora – Quais as metas da gestão do senhor no Tribunal de Contas da União?
Augusto Nardes – Um dos grandes problemas do Brasil é a falta de governança. Boa parte da corrupção no país é decorrente da má gestão. Há uma permanência de fraudes, desvios e sobrepreços que verificamos ano a ano. Queremos atacar as causas dos problemas especializando o Tribunal de Contas. Criaremos secretarias voltadas para áreas específicas. Teremos uma secretaria de meio ambiente, seguida de uma de educação e outra de saúde.
ZH – Como funcionará este trabalho?
Nardes – Vamos manter as auditorias tradicionais, de caráter punitivo, mas também vamos fazer auditorias operacionais, que possuem caráter mais de gestão. Apontaremos para o gestor público o que ele pode melhorar na educação, por exemplo. Pretendemos fazer um trabalho forte voltado para a qualidade do Ensino Médio. O TCU vai assinar, em breve, um acordo com os tribunais de contas dos Estados para realizar o trabalho. Esse é o nó górdio da questão. Se não atacarmos na educação e na saúde, não vamos mudar a sociedade para melhor.
ZH – O TCU realiza todos os anos o Fiscobras, que avalia obras com indícios de irregularidades. No entanto, o Congresso costuma ignorar as recomendações de paralisação. Como contornar isso?
Nardes – A decisão de parar ou não uma obra é da Comissão de Orçamento do Congresso. Agora, isso não significa que o TCU não possa punir os responsáveis mais à frente. É um risco que os gestores correm.
ZH – No Estado, o TCU recomendou paralisações nas BRs-116 e 448. São obras que preocupam o senhor?
Nardes – Não relatei a matéria, não tenho detalhes do caso, mas são obras que preocupam, em especial pela importância que as elas têm para a comunidade gaúcha.








