Balanço Legislativo26/12/2012 | 07h02Atualizada em 26/12/2012 | 08h45

Resistência de servidores e burocracia freiam implantação de ponto eletrônico

Anunciada em agosto, implantação do controle biométrico para servidores ainda não foi efetivada

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Resistência de servidores e burocracia freiam implantação de ponto eletrônico Félix Zucco/Agencia RBS
Geremia trabalha para que licitação do ponto eletrônico saia ainda nesta gestão. Enquanto isso, controle de servidores tem sido manual Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Uma das principais medidas de controle anunciadas pela Assembleia Legislativa em 2012 não saiu do papel.

Quase cinco meses depois de aprovar a instalação do ponto eletrônico para verificação de presença de servidores, o parlamento não abriu licitação para a compra dos equipamentos.

Alvo de forte resistência interna, o processo tramitou por setores da Casa e agora está sob análise da procuradoria do Legislativo. O deputado Alexandre Postal (PMDB) tem expectativa de lançar a licitação antes de deixar o comando da Casa, em 31 de janeiro.

Além do ponto eletrônico, outras medidas visando ao maior controle de jornada dos servidores efetivos e dos que ocupam cargos em comissão foram anunciadas pela Assembleia este ano, mas nem todas estão em plena execução [confira no final da matéria].

— O presidente tem cobrado, quer abrir a licitação ainda nesta gestão, e eu tenho pressionado os setores responsáveis. Quando se mexe com a vida do servidor, criando mais regras, resistências são normais — disse Fabiano Geremia, superintendente-geral da Assembleia.

Medida pode ficar para o próximo presidente

O controle biométrico para funcionários efetivos foi aprovado pela Casa depois de Zero Hora publicar reportagem, em julho, mostrando que a recepcionista da Assembleia Lídia Schons passeava com um cachorro e fazia compras em horário em que deveria estar cumprindo expediente. Ainda assim, tinha sua efetividade, ou seja, a presença no trabalho, atestada integralmente por seus chefes.

À época, Lídia atuava no gabinete do deputado Paulo Azeredo (PDT) e, com uma função gratificada de R$ 11,2 mil, atingia um salário de cerca de R$ 24 mil. A partir da reportagem, o Ministério Público fez apuração e ingressou com ação pedindo a cassação da FG que Lídia incorporou à aposentadoria. A Justiça acatou o pedido, e o processo segue tramitando.

Em 3 de setembro, a Assembleia determinou que os servidores passassem a assinar controle de ponto manual até que esteja concluída a instalação do eletrônico. Outra medida adotada a partir das suspeitas envolvendo Lídia foi a proibição de que servidores efetivos da Casa sejam cedidos para bancadas ou gabinetes de deputados, como era o caso da recepcionista. Mas a regra só valerá em janeiro.

Se Postal não conseguir abrir a licitação para aquisição do equipamento do ponto eletrônico, a medida deve ser concretizada pelo futuro presidente da Casa, Pedro Westphalen (PP):

— O deputado Postal deixou uma porção de obras e ações de gestão encaminhadas e nós, nessa gestão compartilhada entre os quatro presidentes, vamos dar continuidade. Só falta a questão burocrática. Vamos dar o andamento que Postal está dando.

Maior fiscalização — Medidas anunciadas pela Assembleia Legislativa em 2012

Ponto eletrônico

– A instalação do ponto foi aprovada em 1º de agosto, mas quatro meses depois a Casa ainda não publicou edital para abertura de licitação visando a compra do equipamento. O presidente Alexandre Postal (PMDB) quer abrir a concorrência ainda em janeiro.

Regras para a atuação de CCs

– Depois de a RBS TV veicular reportagem com suspeitas de que CCs lotados na Assembleia trabalhavam em sedes de partidos e de que alguns deles, destacados para atuar no Interior, teriam atividades diversas à de assessoramento parlamentar, a Casa passou a discutir regramento sobre o trabalho desses servidores. Nenhuma regra foi escrita. Postal recomendou aos colegas que não mantivessem CCs em partidos. Sobre outras situações, como de advogados de bancadas que têm atuação em processos privados, fora da Casa, e de CCs que estão no Interior, a presidência sustenta que a responsabilidade pelo trabalho que cada um faz é do parlamentar que o contratou. A elaboração de relatório pelos CCs descrevendo as atividades executadas chegou a ser cogitada, mas a ideia não avançou. A Assembleia também resiste a divulgar em seu site o local onde cada CC trabalha.

Limite de CCs fora da Casa

– O parlamento aprovou em setembro o limite de seis CCs que podem trabalhar fora das dependências da Assembleia. A regra começou a valer em 17 de dezembro. Até o quinto dia útil de cada mês, os deputados terão de informar à Casa quais servidores trabalharam fora no mês anterior.

Fim de cedências de servidores efetivos

– Por meio de resolução, a Assembleia proibiu que servidores do quadro sejam cedidos para trabalhar em bancadas ou gabinetes de deputados, por dois motivos: o quadro da Casa já é muito enxuto, aquém das necessidades, e para evitar distorções como a do caso da funcionária Lídia Rosa Schons, servidora que estava cedida para a bancada do PDT, trabalhava no gabinete do deputado Paulo Azeredo e tinha efetividade declarada na íntegra apesar de não cumprir jornada integral. Regra vale a partir de janeiro.

Maior controle de efetividade

– Foi redistribuída a responsabilidade das chefias que declaram a presença do servidor no trabalho. Antes, um gestor assinava a efetividade de funcionários de diversos setores. A partir da nova regra, aumentou o número de gestores responsáveis por essa declaração.

Comentar esta matéria Comentários (6)

aguida

Devemos sempre nos lembrar que os servidores públicos, como próprio nome diz, são pagos com nosso dinheiro (e o deles também). Não é nem respeito, nem nada... é simplesmente como uma empresa deve funcionar. Sim pois os órgãos públicos também são empresas.

26/12/2012 | 14h31 Denunciar

Eduardo

Isso deveria acontecer para todos os servidores públicos: municipais, estaduais e federais. Tem muita gente que ganha muito por fazer nada ou pouca coisa. Só vamos ter serviços públicos de qualidade quando funcionar do mesmo modo que uma empresa particular. Pq os funcionários são contra?

26/12/2012 | 14h01 Denunciar

jose ricardo

um longo trabalho para faze-los compreender que não estão por conta...devem respeito a população,talvez,só com novos funcionarios teremos uma nova mentalidade

26/12/2012 | 12h35 Denunciar

Gilberto

Ponto eletrônico já na Assembléia Gaúcha, e para alguns ainda deveria ter a tornozeleira eletrônica, não é mesmo?

26/12/2012 | 11h39 Denunciar

Alexandre

Não vai adiantar muito o ponto biométrico. Os servidores e CCs que já faltavam o trabalho ou trabalhavam nas sedes de alguns partidos, vão ter que ir diariamente a Assembléia bater ponto, eles não precisam permanecer lá depois.

26/12/2012 | 10h17 Denunciar

Edson

Os Parlamentares só envergonham a sociadade gaucha. Ta na hora de aprovar o pronto eletronico para os servidores. O ponto eletronico é uma otima ferramenta para monitorar os servidores. Se continuar assim veremos outras reportagens de funcionarios publicos passeando durante horario de trabalho.

26/12/2012 | 09h19 Denunciar

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