De olho em 201420/12/2012 | 20h46

PP lança relatório com críticas a Tarso e afirma que governo é "de papel"

Presidente da legenda cobrou coerência entre discurso do petista e realizações da gestão

Enviar para um amigo

Com a mira voltada para a sucessão de Tarso Genro em 2014, o PP lançou nesta quinta-feira uma série de críticas ao governo petista, reunidas em um relatório de balanço do mandato. Segurando exemplares da revista oficial do Piratini - produzida para destacar ações da gestão, o presidente do PP, Celso Bernardi, repetia:

— É um governo de papel! É um governo de papel!

O documento distribuído pelo PP contém a avaliação do segundo ano do governo petista. As principais queixas da sigla, que pretende lançar a senadora Ana Amélia Lemos como candidata na próxima eleição, dizem respeito a supostas incoerências entre o discurso do governador e as suas realizações.

— É um governo que diz uma coisa e faz outra. A marca do governo é a irresponsabilidade com as finanças públicas. Se continuar nesse ritmo, nessa gastança, teremos um déficit de R$ 4 bilhões até 2014. Onde estão as obras? O que foi feito por esse governo? — questiona.

Além das críticas à gestão das finanças, amparada em projeções do economista Darcy Francisco Carvalho dos Santos, Bernardi afirmou que Tarso não cumpriu as promessas feitas na campanha eleitoral nas áreas da saúde, segurança, educação e infraestrutura.

O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, rebateu as afirmações e disse que o relatório contém "várias contradições".

— O PP questiona a nossa postura na educação, mas ontem (terça-feira) silenciou durante a discussão sobre o reajuste do magistério. Por que não foram à tribuna contestar? Me causa surpresa que, um dia após a votação, apareça esse documento — criticou.

FINANÇAS

O que diz o PP

O desequilíbrio das contas e o aumento de gastos com pessoal vai gerar para o Estado um déficit de R$ 1,3 bilhão em 2013, podendo chegar a R$ 4 bilhões em 2014. Compromissos assumidos para reajustar salários de servidores até 2018 deixarão o próximo governo endividado.

— Devem estar convencidos de que vão se reeleger — ironizou Bernardi.

O que diz o governo

O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, afirma que é tolerável ter algum déficit nas contas para possibilitar investimentos. Sobre os reajustes assumidos para depois de 2014, ele garante que foram previstos porque o governo espera vencer a próxima eleição.

— Acreditamos e apostamos que continuaremos governando — disse.

INVESTIMENTOS

O que diz o PP

Afirma que o governo não cumpriu o que prometeu durante a campanha e também no ano passado. Reclama que, na saúde, o Estado não atingiu a despesa mínima prevista pela Constituição, de 12% da receita líquida. Outra crítica é que a gestão investiu apenas R$ 643 milhões do R$ 1,8 bilhão previsto no orçamento para 2012.

O que diz o governo

O governo contesta os números divulgados. Pestana destacou que o Estado "criou um ambiente político para atração de investimentos", citando a expansão de R$ 5 bilhões da Celulose Riograndense. Sobre a saúde, declarou que o orçamento do ano que vem prevê a destinação de 12% dos recursos para a área.

EDUCAÇÃO

O que diz o PP

Cobra do governador a promessa assumida durante a campanha de pagar o piso nacional do magistério. Celso Bernardi ressaltou que, em vez de buscar condições para cumprir o discurso, "o governo foi à Justiça para não pagar". O presidente da legenda também destaca que o Rio Grande do Sul é o Estado que menos investe na área.

O que diz o governo

Reclama da suposta incoerência do PP em cobrar o pagamento do piso após a votação do reajuste de 28,98% para o magistério, ocorrida na quarta-feira na Assembleia. Segundo Pestana, os deputados do PP "silenciaram". Ressalta que o PP, por ter participado de gestões anteriores, também seria responsável pelos problemas crônicos da área.

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros