Localizado em um edifício empresarial na Avenida Carlos Gomes, prédio onde os aluguéis chegam a R$ 34 mil, com um funcionário nomeado desde maio de 2011, o gabinete regional da Presidência da República em Porto Alegre ainda não foi inaugurado.
Apesar da indicação de vizinhos e da recepção do Opus One de que o espaço é reservado para o futuro escritório, oficialmente o Planalto não considera a sala, cedida pela Petrobras, como a sede do gabinete.
Logo ao tomar posse, no começo de 2011, a presidente Dilma Rousseff indicou a vontade de abrir escritórios em Belo Horizonte e Porto Alegre, locais em que poderia despachar durante suas visitas, já que nasceu em Minas Gerais e construiu sua carreira política no Rio Grande do Sul, onde vivem a filha Paula e o neto Gabriel.
A estrutura seguiria o exemplo do escritório criado pelo então presidente Lula em São Paulo, usado em agendas presidenciais e de ministros. Recentemente, o local foi envolvido na Operação Porto Seguro. A antiga chefe do gabinete, Rosemary Nóvoa de Noronha, está entre os indiciados pela Polícia Federal, suspeita de integrar a quadrilha que fraudava pareceres em favor de empresas.
Diante do desgaste causado pela operação, circula nos bastidores a informação de que a presidente pretende fechar os escritórios regionais, o que não é confirmado pelo Planalto. Situado na esquina da Avenida Paulista, um dos corações financeiros do país, o gabinete de São Paulo é pouco utilizado por Dilma. Alguns ministros, como Guido Mantega (Fazenda), ainda utilizam o local.
Já o escritório de Porto Alegre figura no limbo. Ainda não foi concluído e não tem previsão para inauguração. A presidente nunca desfrutou da estrutura. Vale o mesmo para ministros gaúchos que visitam o Estado com maior periodicidade. Maria do Rosário (Direitos Humanos) costuma trabalhar em uma sala na UFRGS, Mendes Ribeiro (Agricultura) atua na superintendência da pasta em Porto Alegre e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário) só precisou despachar do Estado durante a Expointer, em um espaço na própria feira.
Planalto nega existência de chefia de gabinete
Funcionários do edifício Opus One e vizinhos da sala reservada para o escritório da Presidência da República, no 13º andar, em Porto Alegre afirmam que o gabinete é pouco frequentado.
A sala tem, segundo a assessoria do Planalto, um funcionário. O governo não revela o nome do servidor, apenas informa que se trata de um motorista.
Conforme o Portal da Transparência, Cristian Raul Juchum trabalha no escritório. O Diário Oficial publicou sua nomeação como assistente técnico em maio do ano passado. Concursado da Petrobras, o servidor está cedido para a Presidência, o que lhe rende uma gratificação de R$ 1,6 mil no contracheque.
No prédio da Carlos Gomes, Cristian é identificado por vizinhos de sala como chefe da estrutura, o que o Planalto nega, ao dizer que o local não tem chefia de gabinete. A situação foi constatada ontem pela reportagem de ZH, que esteve no edifício no início da tarde.
No saguão do prédio e nas duas portas que dão acesso ao escritório, não há nenhuma identificação de que ali deveria funcionar uma estrutura de apoio à Presidência.
Depois de muita insistência, um homem atendeu aos chamados à porta e se identificou a Zero Hora como o segurança que presta serviços no local. O escritório estava vazio. Da porta, era possível visualizar um balcão de madeira em tom amarelado e sofás pretos. Cristian não se encontrava.
— Que eu saiba, nunca chegou a abrir o escritório, nunca funcionou — disse o segurança.
Enquanto falava com a equipe de ZH, ele atendeu ao telefone fixo da representação.
— Eu não autorizei que eles subissem — explicou ao interlocutor.
Pessoas que acompanham a rotina do local afirmam ter notado alguma movimentação nos últimos dias. Mulheres estiveram no escritório para fazer entrevistas de emprego para preenchimento da vaga de secretária.









