Em obras e com R$ 1,4 milhão já investido, o novo centro administrativo de Santa Cruz do Sul tem futuro incerto.
O prefeito eleito Telmo Kirst (PP) anunciou que vai reavaliar o projeto e que pretende trabalhar no Palacinho, prédio histórico da prefeitura que precisa ser reformado.
A controvérsia é mais um capítulo na disputa entre Telmo e a atual prefeita, Kelly Moraes (PTB), derrotada em outubro. Idealizado por Kelly, o centro administrativo começou a ser construído em junho. A prefeita planejou reunir no mesmo local a chefia do Executivo municipal e todas as secretarias, hoje dispersas pela cidade, algumas em prédios alugados.
A primeira fase da construção, incluindo andar térreo, subsolo e estacionamento, deve ser concluída até o fim deste ano. A obra completa, com oito andares, está orçada em
R$ 18 milhões e não tem previsão de término.
— A cidade merece serviços centralizados. Acredito que o futuro prefeito vai ver isso — diz Kelly
Telmo afirma não saber que destino dará ao projeto e não descarta interrompê-lo. A única decisão é a retomada do prédio histórico da prefeitura.
Prestes a completar 124 anos, o Palacinho da Praça da Bandeira foi erguido para abrigar o Legislativo. A partir da década de 1930, passou a ser a sede da prefeitura. Desde então, segundo o historiador Olgário Vogt, os únicos prefeitos que não utilizaram o prédio para governar foram Kelly e seu ex-marido, Sérgio Moraes (PTB), que administrou a cidade de 1997 a 2004. Ambos optaram por utilizar um pavilhão no Parque da Oktoberfest.
— É uma questão de simbologia. O prefeito tem de estar no Palacinho — diz Kirst.

Pelo projeto de Kelly Moraes, Palacinho seria transformado em centro cultural — FOTO: Cesar Lopes/Especial
Prédio histórico precisa de reforma
Com a decisão do prefeito eleito Telmo Kirst (PP) de montar seu gabinete no Palacinho, um outro projeto da atual administração está em xeque.
A prefeita Kelly Moraes (PTB) havia planejado transformar o prédio histórico em um centro cultural.
O projeto incluía a instalação de biblioteca pública e cafeteria, como forma de incentivar visitas da população, que costuma a usar a Praça da Bandeira como ponto de encontro e lazer. A reforma do Palacinho, ao custo de R$ 1 milhão, já havia sido avalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), que tombou o prédio em agosto, e estava na fase de captação de recursos.
Atualmente, o Palacinho apresenta sinais de desgaste. Há rachaduras nas paredes, infiltrações no assoalho, fiação elétrica exposta e madeira consumida por cupins. Nem o antigo gabinete dos prefeitos escapa da ação do tempo.
— Tenho noção dos problemas. Mesmo assim, é de lá que vou governar — diz Telmo.








