Expressão cunhada para retratar a afinidade política entre os governos estadual e federal, ambos do PT, o "alinhamento das estrelas" precisa ser colocado em prática com sintonia fina.
Com o crescimento de 23,7% dos assaltos a banco no Estado em 2012, os gaúchos vão fazer a passagem de ano ainda estarrecidos pela audácia e pela violência do bando liderado por Elisandro Falcão. Antes de morrer em confronto com a Brigada Militar, na madrugada de sábado, o foragido número 1, como era chamado Falcão, comandou assalto a uma fábrica de joias na tranquila Cotiporã, na Serra, protagonizando trocas de tiros, perseguições, sitiamento da cidade e explosões cinematográficas. Pior: a parcela do grupo que conseguiu fugir levou reféns.
O Piratini precisa apelar ao governo federal urgentemente. É fundamental fazer uma aliança contra o Novo Cangaço — nome dado ao movimento de criminosos fortemente armados, com requintadas técnicas de ação, que passaram a praticar crimes em pequenos municípios, atraídos pela fragilidade da segurança local.
A Polícia Federal, que já começou a investigar roubos a banco no Estado, precisa ser integrada às operações da Brigada Militar e da Polícia Civil. Os federais agregariam delegados experientes, tecnologia, homens treinados e bem equipados. Ainda junto ao Palácio do Planalto, com o intuito de prevenir os ataques e localizar criminosos, o governador Tarso Genro poderia buscar o apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Seria salutar transferir apenados de alta periculosidade, que comandam o crime de dentro das cadeias, para penitenciárias federais. A Receita Federal colaboraria ao monitorar e asfixiar as operações financeiras das quadrilhas. Uma medida mais radical, porém não menos importante, seria solicitar o apoio das tropas da Força Nacional de Segurança Pública, que poderia varrer regiões como a Serra, frequentemente atacada, para prevenir crimes, efetuar prisões e reduzir a sensação de descontrole da criminalidade.
A Brigada Militar e a Polícia Civil claramente fazem os esforços possíveis, apostam em ações de inteligência, costuram parcerias com as corporações irmãs de Santa Catarina, mas, sozinhas, enfrentam dificuldades. Pedir auxílio não é vergonha. Pelo contrário. Vergonha é seguir vítima da epidemia de violência.












