Simpatia e interesses03/11/2012 | 16h04

Visita de Tarso a passeio pela ilha em janeiro originou missão gaúcha em Cuba

Viagem aproximou gaúchos e cubanos, que demonstram interesse em projeto de microcrédito

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A missão gaúcha a Cuba começou a ser articulada em janeiro passado, quando o governador Tarso Genro esteve na ilha a passeio. O governo cubano sentiu que Tarso tinha "vontade política" — leia-se aquela simpatia que os comunistas raramente encontram — e resolveu investir na relação.

Os acordos assinados na sexta-feira para transferência de tecnologia na agricultura, na cultura e na economia solidária são produto dessa relação de simpatia mas, também, de um casamento de interesses.

Tarso deixou claro no discurso que fez para representantes cubanos que o Rio Grande do Sul escolheu seus parceiros preferenciais e que Cuba é um deles, junto com Argentina, Uruguai, Coreia do Sul, Espanha, Portugal e países da África. Ainda que parte significativa das exportações gaúchas vá para os Estados Unidos, Tarso não citou o inimigo número um de Cuba entre as prioridades do Estado. No encontro que reuniu empresários gaúchos e integrantes do governo cubano, referiu-se aos Estados Unidos apenas uma vez, para dizer que espera de um segundo governo Obama melhor tratamento para a ilha.

Ministro gostaria de ter voo direto Havana-Porto Alegre

O ministro de Comércio Exterior e investimentos estrangeiros de Cuba, Rodrigo Malmierca Diaz, recomendou que empresários brasileiros usem a Feira Internacional de Havana, que começa neste domingo, para oferecer produtos que Cuba pode importar. Diaz chegou a falar na possibilidade de uma linha direta de voos entre Porto Alegre e Havana, hipótese que não se concretizará tão cedo por falta de demanda.

Embora o governo cubano tenha afrouxado a rigidez na concessão de vistos para viagens ao Exterior, poucos são os que têm dinheiro para comprar a passagem e bancar a estada. Mesmo assim, a medida é comemorada como um avanço extraordinário pelos cubanos que sonham, um dia, conhecer as cidades mostradas nas novelas da Globo.

Veja os interesses comerciais de gaúchos e cubanos

É o caso da relações públicas Aida Mustelier Gonzalez, do Centro de Pesquisas sobre longevidade, Envelhecimento e Saúde. Ela cresceu ouvindo música brasileira tocada na casa de um vizinho. Gosta, particularmente, de Aquarela do Brasil, tem uma filha cantora e sonha juntar dinheiro para fazer uma viagem ao Brasil.

A possibilidade de juntar dinheiro sem ser vindo de parentes que moram no Exterior nasceu de uma medida adotada pelo regime para tentar driblar a crise: agora, os cubanos podem se transformar em pequenos empreendedores e explorar atividades até então restritas ao Estado.


Aida sonha juntar dinheiro para vir ao Brasil   FOTO: Rosane de Oliveira

Um dos acordos firmados pelo governo gaúcho é exatamente para transferir experiência na área do microcrédito. O Banco Nacional de Cuba vai emprestar dinheiro para quem quiser abrir pequenos negócios. O grosso da atividade econômica vai continuar nas mãos do Estado, sozinho ou associado a empresas estrangeiras que estão sendo incentivadas a se instalar no país.

O secretário de Economia Solidaria, Maurício Dziedricki, está na missão para tratar desse acordo na área de microcrédito e de outro, no setor de reciclagem de lixo. O RS vai exportar um programa de reciclagem de garrafas pet por cooperativas de catadores e receber em troca informações sobre a reciclagem de papelão, também em sistema cooperativo.

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