Conexão com a ilha02/11/2012 | 20h01

Saiba quais são os interesses comerciais que aproximam os empresários gaúchos do governo cubano

Comitiva gaúcha apresentou suas credenciais ao Ministério de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba nesta sexta-feira

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Saiba quais são os interesses comerciais que aproximam os empresários gaúchos do governo cubano Caco Argemi/Palácio Piratini,Divulgação
Tarso Genro e o ministro de Comércio Exterior e Investimentos de Cuba, Rodrigo Malmierca Diaz, durante abertura do Encontro Rio Grande do Sul e Cuba Foto: Caco Argemi / Palácio Piratini,Divulgação
Rosane de Oliveira, Enviada especial / Havana, Cuba

rosane.oliveira@zerohora.com.br

O que é Cuba para um empresário brasileiro? O descrente do potencial desse país caribenho que tem a área e a população do Rio Grande do Sul, dirá que é uma ilha comunista pobre demais para merecer a atenção de um gigante como o Brasil e que só a simpatia pela revolução protagonizada por Fidel Castro explica a atenção que vem sendo dada desde o primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O pragmático dirá que cedo ou tarde ocorrerá uma abertura, esta ilha será um parceiro importante e quem chegar primeiro terá preferência na hora de fechar negócios.

É no segundo grupo que se enquadram os empresários gaúchos que participam da comitiva do governador Tarso Genro, especialmente os que já estão vendendo para Cuba ou tentando entrar neste mercado.

Saiba mais:
> Comitiva gaúcha tem como meta ampliar exportações para Cuba

É o caso da Odebrecht, que montou uma empresa em Cuba e está aqui construindo o Porto Mariel, o maior projeto de infraestrutura em andamento no país. É uma relação que começou em 2007. Inicialmente, o contrato era para a construção de uma autoestrada ligando Havana a Santiago de Cuba, mas a devastação provocada por três furacões fez o governo redirecionar os investimentos para a reconstrução e, depois, para o porto.

Hoje a empresa tem 4 mil empregados cubanos e 40 brasileiros em Havana e deve ampliar seus negócios para outras áreas.

No grupo dos otimistas também se incluem a Agrale, produtora de máquinas e implementos agrícolas, que entregou ao ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, Rodrigo Malmierca Diaz, uma carta de intenções registrando sua disposição de investir no país.

Em 2003, as exportações brasileiras para Cuba não passavam de US$ 69 milhões. Nos oito anos de governo Lula e no primeiro de governo Dilma, subiram para R$ 550 milhões. Cuba vendia R$ 5 milhões para o Brasil. Hoje vende R$ 70 milhões e a expectativa é aumentar.

Essa afinidade com o Brasil foi destacada nesta sexta-feira no encontro Rio Grande do Sul-Cuba pelo governador Tarso Genro e pelo ministro de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Diaz, para dizer que são promissoras as perspectivas de fechamento de negócios nos próximos anos.

O Rio Grande Sul apresentou suas credenciais, mostrou o que produz, e Cuba indicou, por meio de sua diretora de Relações Internacionais, Celia Labora, as áreas que interessam à ilha.

No topo da lista está o setor de máquinas e implementos agrícolas. Cuba lançou um programa de agricultura familiar e, por enquanto, precisa importar esses produtos. No futuro, quer mais do que comprar: quer parcerias com empresas gaúchas para produzir aqui.

Os cubanos acenaram ainda com a possibilidade de o país se transformar numa porta de entrada dos produtos gaúchos para o Caribe, possibilidade que entusiasmou o governador.

Como os serviços respondem por três quartos da economia cubana, também há interesses em parcerias nessa área, principalmente no ramo hoteleiro e tudo o que floresce em torno desse setor. O potencial de negócios ficará mais claro neste domingo, quando as empresas gaúchas mostrarão seus produtos na Feira Internacional de Havana, que está na trigésima edição.

CONFIRA A AGENDA DA COMITIVA GAÚCHA EM CUBA

SÁBADO

— Pela manhã, visita ao porto de Mariel e futura área industrial

— À tarde, Tarso tem encontro com o vice-presidente do Conselho de Ministros e do Comitê Executivo de Cuba, Ricardo Cabrisas Ruíz

— À noite, apresentação de vinhos, espumantes e sucos gaúchos ao governo, importadores e sommeliers cubanos

DOMINGO

— Pela manhã, comitiva participa da inauguração da 30ª Feira Internacional de Havana

— À tarde, será realizada a assinatura do primeiro contrato da Linha Badesul Pro-Exportação Cuba

SEGUNDA-FEIRA

— Pela manhã, encontro com o vice-presidente primeiro, Ellio Gámez Neira

— Almoço oferecido à comitiva pelo primeiro vice-ministro de Comércio Exterior cubano, Antonio Luis Carricarte Corona

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