Bastidores do poder24/11/2012 | 16h02

Saiba mais sobre o quarteto político da confiança do governador Tarso Genro

A saída de Beto Albuquerque do secretariado no início da semana evidenciou a força do núcleo

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Saiba mais sobre o quarteto político da confiança do governador Tarso Genro Arte sobre fotos//
Grupo é integrado por Vinicius Wu, João Motta, Carlos Pestana e João Victor Domingues Foto: Arte sobre fotos / /

Um grupo de petistas com características semelhantes — discretos, com atuação nos bastidores e de pouca expressão eleitoral — circundam o governador Tarso Genro, cumprem ordens, demonstram fidelidade e ajudam na tomada das decisões mais importantes da gestão.

Formando o núcleo político do Piratini, eles coordenam as ações de outras pastas e atuam como intermediários da relação de Tarso com os demais membros do primeiro escalão.

O time, integrado pelos secretários Carlos Pestana (Casa Civil), João Motta (Planejamento), João Victor Domingues (Assessoria Superior do Governador) e Vinicius Wu (Chefia de Gabinete), acumula poder e gera desgosto entre aliados. Secretários se sentem esvaziados e sem autonomia, mas há quem exalte a atuação do grupo como ponto positivo de organização e otimização dos encontros com Tarso.

— Eles são uma instância antes de chegar no Tarso. Ajudam em alguns casos para qualificar as agendas. Mas, em outros, atrapalham. Ficamos distantes do governador e temos dificuldade para opinar — avalia um aliado do primeiro escalão.

Beto Albuquerque, ex-secretário de Infraestrutura e Logística, está entre os que bateram de frente com o núcleo político. Apesar do discurso de que deixou a pasta para voltar à Câmara a pedido do PSB, Beto se desgastou, principalmente com João Victor, ao perder a coordenação de temas como o futuro dos pedágios, a construção da ERS-010 e a reforma da ERS-118.

Na última segunda-feira, ele pediu demissão instantes antes de Pestana e João Victor anunciarem o sepultamento do projeto da Odebrecht para tirar a ERS-010 do papel. Beto era favorável à proposta, mas teve a opinião vencida pelo núcleo político.

Grupo "não faz sombra" a Tarso

A concentração de poder nas mãos do quarteto de Tarso também esteve relacionada com a saída de Flavio Koutzii do governo em dezembro de 2011. No discurso oficial, Koutzii, um nome histórico do PT, saiu apenas por problemas de saúde.

Os quatro desfrutam da total confiança de Tarso. Por isso, dão avais e vetos, orientam, formam opiniões políticas e têm acesso direto e diário ao governador. Em compensação, costumam se manter longe dos holofotes — Pestana, em alguns momentos, é a exceção à regra —, o que é bom para o governador.

— Eles pensam e operam as ações do governo, mas não fazem sombra ao Tarso porque não têm o peso político de nomes como Henrique Fontana ou Raul Pont — analisa um petista.

Quem são eles

O negociador


FOTO: Caco Argemi, Palácio Piratini/Divulgação

Titular da Assessoria Superior, João Victor Domingues (à direita na foto acima) jamais concorreu a cargos públicos. Coordenador da bancada do PT na Assembleia no governo Yeda Crusius, obteve destaque ao atuar nos bastidores das CPIs do Detran e da Corrupção. No início do governo Tarso, era o adjunto de Flavio Koutzii. Com a saída do seu mentor, assumiu a pasta e ganhou a confiança de Tarso ao mostrar fidelidade e obediência. Tem influência sobre as secretarias de Infraestrutura, Desenvolvimento Rural, Agricultura e Desenvolvimento. Também exerce ascendência sobre a PGE. No tema dos pedágios, é o principal porta-voz e interlocutor do governo. Conhecido como um dos petistas ortodoxos do Piratini, tem restrições a parcerias público-privadas (PPPs) e concessões.

O emissário


FOTO: Anderson Fetter

Vinicius Wu é o mais jovem dos integrantes do núcleo político. Natural do Rio, foi dirigente da UNE e assessorou Tarso no Ministério da Justiça. Estabeleceu relação de confiança e integrou a coordenação da campanha de 2010. Sem vínculos no Rio Grande do Sul, se constituiu como figura central do governo na cota pessoal do governador. Nos bastidores, uma de suas funções é levar mensagens para os secretários. Seguindo ordens de Tarso, enquadra os aliados, emite orientações políticas e administrativas e, quando necessário, reprime atitudes. É escalado para tarefas que geram atrito, evitadas pelo governador. Ao desempenhar o ofício, se tornou um desafeto para muitos. Exerce influência sobre as secretarias da Educação, Comunicação e Casa Militar.

O conciliador


FOTO: Fernando Gomes

Integrante da Democracia Socialista (DS), Carlos Pestana tem o seu perfil conciliador valorizado por Tarso. Em 2000, antes de se eleger prefeito pela segunda vez, Tarso venceu as prévias do PT, que criaram um clima de guerra entre ele e a DS. Apesar da celeuma, Tarso valorizou Pestana e o chamou para ser o secretário de Habitação. Em 2010, Pestana mostrou habilidade ao coordenar a campanha ao Piratini. Depois, foi recrutado para comandar a Casa Civil. Carrega uma carga ideológica alinhada com a essência do PT, o que torna-o resistente às PPPs e concessões. Exerce influência sobre as pastas da Fazenda, Administração e Trabalho e Assistência Social.

O técnico


FOTO: Galileu Oldenburg, Agência ALRS/Divulgação

João Motta é companheiro de Tarso desde a década de 1980, quando os dois militavam no PRC. No núcleo político, é o mais respeitado e experiente. Vereador por três mandatos, presidiu a Câmara de Porto Alegre, foi superintendente do Grupo Hospitalar Conceição e da Assembleia. De perfil discreto, é considerado um técnico. No Planejamento, liderou um dos processos mais valorizados pelo governo: a liberação dos empréstimos do Banco Mundial e do BNDES. Também teve participação na coordenação da equipe de análise do projeto da ERS-010 e desempenha o papel de referência para as pastas de Obras e de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico.

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