Análise28/11/2012 | 17h29

Rosane de Oliveira: corruptos e corruptores deveriam dividir a cela

Colunista de ZH analisa o final do julgamento do processo do mensalão no Supremo

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Está terminando o julgamento do mensalão e eis que o Supremo Tribunal Federal aplica uma pena branda ao ex-deputado Roberto Jefferson com o argumento de que ele, como delator, ajudou a desmontar o esquema. É a delação premiada a posteriori. Jefferson não fez acordo para redução da pena, como se faz na delação premiada. Contou com a boa vontade dos ministros e não precisará ir para cadeia como outros réus.

Dito assim, parece até que Roberto Jefferson denunciou o esquema porque é um bom cidadão, um sujeito reto que não compactua com a falcatrua na política. Não é bem assim. O chefão do PTB só botou a boca no trombone quando caiu o esquema de corrupção que o partido dele comandava nos Correios. Inconformado porque o PT não pagou os R$ 20 milhões que prometera ao PTB (os repasses ficaram em mais ou menos um quarto do valor combinado), Jefferson abriu as portas do inferno e deu a trilha para que a CPI dos Correios chegasse aos 40 indiciados.

É indiscutível que o ex-deputado, cassado na mesma leva de José Dirceu, prestou um serviço ao país ao denunciar o mensalão, mas isso não faz dele um herói. Seu partido recebeu do mesmo dinheiro sujo que outros aliados do governo Lula receberam. Cada um usou como quis, financiando campanhas ou melhorando a vida de seus dirigentes, mas são todos farinha do mesmo saco. Venderam apoio no Congresso como se o mandato fosse deles e não do povo que os elegeu.

Parece óbvio dizer isso, mas corrupção só existe porque existem as duas pontas: o corrupto e o corruptor. Os dois deveriam dividir a cela e as algemas.

Se Roberto Jefferson tivesse sido poupado por uma questão de humanidade até se poderia compreender a pena branda. Ele é um homem doente, em meio ao julgamento enfrentou uma cirurgia para retirada de um tumor do pâncreas, está definhando a olhos vistos. Mas premiar o ex-deputado só porque deu o caminho para a implosão do mensalão deixa a impressão de que, em alguns casos, o crime compensa.

Comentar esta matéria Comentários (6)

Jorge Gabriel Kuhn

Rosana Roberto Jefferson é tão corrupto quanto o restante da Quadrilha, mas o Ministro Marco A Melo colocou muito bem ontem ao proferir seu voto, disse o magistrado, Jefferson interrompeu a continuidade dos escamoteamentos,caiu a máscara do Petesalão

29/11/2012 | 14h26 Denunciar

decio brasil flores machado

Desculpe Rosane,já viu juntos na mesma cela?Voltariam com forças redobradas.

29/11/2012 | 09h09 Denunciar

Luis Silva

Concordo plenamente com dito o final do post.Cresceu meu dessncanto com a justiça brasileira,neste caso representada por seu mais alto tribunal.Jefferson não é santo e o STF que esmiuçou a vida dos condenados passou batido pelos 4 milhões que o delator recebeu e nunca explicou o que fez da grana.

28/11/2012 | 22h54 Denunciar

Marco Antonio Casara

STF foi brilhante. De alguma forma houve justiça, e obedeceu-se uma lógica igual para todos. Então Sra Rosane, não queira corrigir o incorrigível. Se não houvesse a denuncia não haveria mensalão. Denunciar exige coragem. Este é o mérito dele.Apesar disso foi condenado e já não será primário.

28/11/2012 | 22h50 Denunciar

Teo

Filosofe-se do jeito que se quiser, mas se não fosse ele, o País estaria sendo roubado, os votos do legislativo continuariam sendo comprados por esse bando e os cofres públicos estariam mais vazios a cada dia. Dos males, o menor!

28/11/2012 | 21h24 Denunciar

jaime

Como diz o Paulo Henrique Amorim só falta o PIG elevar o cafajeste do Jeferson a Papa. Um corupto que por não receber mais propina denunciou o esquema. O que está fazendo o PT? Uma inércia total do partido. Está dando a cara para imprensa canalha bater. Já vi este filme aqui no RS no governo Olívio.

28/11/2012 | 20h29 Denunciar

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