Executivos da Renault preparam visita ao Estado para avaliar a possibilidade de instalação de uma montadora de veículos elétricos. Em viagem a Paris, o governador Tarso Genro recebeu essa garantia da direção da fabricante francesa.
Solicitado pelo Palácio Piratini, o encontro teve como objetivo aproximar o governo e a marca francesa de automóveis, que teria planos de construir uma nova linha de montagem na América Latina.
O presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (AGDI), Marcus Coester, que acompanha Tarso na viagem à Europa, é mais cauteloso e afirma que o objetivo do namoro é, antes de tudo, a obtenção de subsídios técnicos para o desenvolvimento de um segmento produtivo do gênero no Estado.
— Nosso diálogo tratou do desenvolvimento de tecnologia e de cadeia produtiva, porque as plantas para carro elétrico não têm nada a ver com as das montadoras tradicionais. Temos no Estado iniciativas ligadas à energia eólica e ao tratamento de resíduos, por exemplo, e esse assunto se encaixa nessa lógica — explica.
Segundo Coester, o governo projeta que, nos próximos anos, as montadoras de veículos irão se voltar cada vez mais à produção de veículos movidos a energias limpas e, ao apostar nesse nicho de mercado, o Estado estaria preparando o terreno para a retomada do crescimento industrial, mas com uma base sustentável.
De acordo com o presidente da AGDI, nos próximos dias, a comitiva gaúcha também terá encontro sobre o mesmo assunto com executivos de uma montadora japonesa.
— Estamos tratando de um novo ciclo produtivo. O sistema de abastecimento e as soluções de mobilidade para um veículo elétrico são diferentes da cadeia automotiva tradicional — conclui Coester.
IPI prejudica produção local
Para Pietro Erber, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, uma fábrica para produzir modelos 100% elétricos é inviável atualmente no país, principalmente pelo alto custo desse tipo de carro. Além disso, como não é reconhecido na taxação do IPI, por não ter uma produção nacional, entra na categoria "outros", com alíquota de 25%.
— Vejo mais concreta a fabricação de ônibus com esta tecnologia, ou híbrida (combinação de motor a combustão e elétrico), que não exigiria uma produção em alta escala como o carro elétrico necessita — disse Erber.
Em termos de automóvel, o mais viável, conforme o presidente da Abve, seria o projeto de um modelo pequeno, sem a cara bateria de íon-lítio, mas de chumbo, como utilizava o antigo carro Gurgel, fabricado no Brasil:
— Com preço menor e autonomia de 60 quilômetros, bem razoável para o dia a dia do brasileiro, esse seria um carro mais adequado para no momento.
Francês elétrico
— Até 2015, a Aliança Renault-Nissan terá investido 4 bilhões de euros no programa elétrico e prevê a venda acumulada de 1,5 milhão destes veículos até 2016.
— A Renault é líder europeia em vendas de veículos elétricos. No fim do ano, será a única montadora a oferecer uma gama completa, com quatro modelos. Cerca de 80% dos veículos elétricos vendidos pela Renault serão produzidos na França até 2015.
— Um motor elétrico de 3ª geração será produzido em Cléon (França).









