Dois dias após emitir um despacho no qual sepultou o projeto elaborado pela Odebrecht para a construção da ERS-010, a Rodovia do Progresso, o governador Tarso Genro admitiu recuar na sua posição.
Diante dos integrantes do Conselho Deliberativo Metropolitano, em reunião na Capital, Tarso detalhou os motivos que o levaram a rejeitar a proposta da empresa e ouviu os argumentos dos prefeitos - favoráveis à parceria com a construtora -, por meio dos chefes dos Executivos de Canoas, Jairo Jorge (PT), e de Porto Alegre, José Fortunati (PDT).
Na saída do encontro, Tarso explicou que as alterações no projeto serão debatidas com técnicos do governo.
— Todos pontos podem ser revistos, desde que tenham sustentação técnica e compreensão financeira das consequências — resumiu.
Defensor declarado da Parceria Público-Privada (PPP) para a obra, o prefeito de Canoas foi enfático na sua justificativa e, em poucos minutos, rebateu todas as determinações encaminhadas pelo governador na segunda-feira. Ressaltou que os pontos levantados pelo despacho (custo elevado da obra, desapropriações e fluxo de veículos previsto na rodovia) devem ser relativizados.
— Em 1976, o Plano Diretor de Transportes Urbanos da Região Metropolitana previu a 010. Essa importância não diminuiu, como alguns possam pensar. Tanto as desapropriações, quanto o VDM (volume diário médio de veículos), podem ser flexibilizados na própria licitação — contestou.
O petista também criticou a iniciativa de Tarso em solicitar apoio federal para construir as duas rodovias adjacentes que ligarão a ERS-010 a Canoas e São Leopoldo.
— Não podemos jogar essa responsabilidade nas costas da presidente Dilma, que tanto tem feito pelo Estado — afirmou.
Questionado a respeito das resistências internas no Piratini para a execução da obra, por se tratar de uma PPP, Jairo Jorge se mostrou otimista e, indiretamente, criticou o relatório encaminhado ao governador pela sua assessoria técnica:
— O governador não tem esse preconceito. Se as pessoas que o cercam têm, não posso responder. Não podemos ideologizar o debate. Nós temos dados técnicos, não é opinião, não é "achologia". Não estamos privatizando o Estado, estamos fortalecendo — reforçou.
A pedido de Fortunati, a revisão prometida por Tarso deverá abordar o impacto da rodovia em Porto Alegre:
— Quando se pensam em estruturas fortes de mobilidade urbana que ligam a Região Metropolitana, Porto Alegre acaba sendo simplesmente depositária dos veículos que chegam. Exemplo disso é a Rodovia do Parque (BR-448), que em momento algum o Dnit pensou o impacto que causaria em Porto Alegre — criticou.
A ERS-010 é considerada estratégica para desobstruir o trânsito na Região Metropolitana. A estrada seria paralela à BR-448 e à BR-116, de Sapiranga a Porto Alegre, com ligações em Canoas e São Leopoldo. O projeto elaborado em 2009 estava sob análise do governo petista desde o início do mandato em 2010.








