Justiça14/11/2012 | 13h31

Presidente do STF diz que salários desvalorizados do Judiciário afastam profissionais da área

Ayres Britto reuniu-se com políticos e magistrados e cobrou melhorias na remuneração de juízes e servidores

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Presidente do STF diz que salários desvalorizados do Judiciário afastam profissionais da área Carlos Humberto/STF, Divulgação
Ayres Britto (de pé) diz que a carreira na magistratura está desvalorizada Foto: Carlos Humberto / STF, Divulgação

Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ayres Britto, o salário dos juízes está defasado no país e isso torna a carreira pouco atrativa em comparação com outros postos do mercado de trabalho. Tomando como exemplo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, um juiz iniciante de primeiro grau recebe mais de R$ 17 mil mensais. Um desembargador do mesmo tribunal tem vencimentos superiores a R$ 24 mil.

Ayres Britto reuniu-se na manhã desta quarta-feira com líderes partidários, presidentes dos Tribunais Superiores e dirigentes de associações de juízes. No encontro, realizado no Congresso Nacional, o ministro alertou para a necessidade de valorização da magistratura e dos servidores do Poder Judiciário. O ministro Joaquim Barbosa, que será empossado presidente do STF no próximo dia 22, também participou do encontro.

— A magistratura perde poder de competitividade. A procura por cargos de magistrado diminuiu preocupantemente. Quando a magistratura se desalenta e até deserta, migrando para outras áreas, o país experimenta um decréscimo — afirmou Ayres Britto.

Aos líderes de partido, o presidente do STF afirmou que a magistratura está sem atualização remuneratória há quatro anos, somando perdas inflacionárias de mais de 28%. Segundo ele, a categoria experimenta um processo de “temerário desprestígio”. O presidente acrescentou que essa situação se reflete nos concursos públicos.

O ministro destacou ainda que a situação dos servidores do Poder Judiciário também é temerária e que os salários da categoria sofreram perdas inflacionárias superiores a 54%. De acordo com ele, “levas e levas” de servidores estão deixando o Judiciário para carreiras mais atraentes do ponto de vista remuneratório.

— Estamos nos desprofissionalizando. Isso é realidade, não é retórica. Temos tabelas e documentos comprovando isso. Queremos uma compreensão do Poder Legislativo para esse estado de coisas, para essa quadra remuneratória preocupante. Que os senhores nos ajudem no sentido de nossa reprofissionalização — disse.

Entre os parlamentares presentes no encontro, estavam o senador Romero Jucá (PMDB-RR), relator-geral da proposta orçamentária de 2013, e os deputados Lincoln Portela (PTR-MG) e Sarney Filho (PV-MA).

Comentar esta matéria Comentários (3)

Rafael

Não entendo, nossos magistrados ganham salários iguais e as vezes superiores aos magistrados de paises de primeiro mundo, por exemplo, os americanos. Sendo que lá o salario minímo é o dobro do nosso. Receber 24 mil, fora as vantagens, em um pais onde o salario minímo é de R$ 622,00 é uma vergonha!!

14/11/2012 | 15h23 Denunciar

Felipe Vince

Como contribuinte o meu questionamento: um desembargador do RJ foi perguntado pela Globo: - O salário total de 615mil por mês é devido para o senhor. Resposta do desembargador: - Sim. Então Sr. Ministro a minha pergunta é simples e direta: - O salário do professor e policial não estão desafados?

14/11/2012 | 15h07 Denunciar

Luiz

É falácia. São várias as razões que caracterizam o argumento como tal, mas acredito que a mais forte é a de que a maioria dos que são juízes não teria capacidade de ganhar mais advogando.

14/11/2012 | 14h18 Denunciar

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