Ampliação no TJ14/11/2012 | 21h48

Novos cargos propostos pelo Judiciário gaúcho custarão R$ 34 milhões

Projetos de lei encaminhados pelo Judiciário preveem criação de 142 vagas com salários que vão de R$ 9,6 mil a R$ 24,1 mil

Enviar para um amigo

Protocolados na segunda-feira na Assembleia Legislativa, os projetos de lei que criam cargos e funções gratificadas (FGs) no Judiciário terão impacto financeiro de R$ 34,2 milhões nos cofres estaduais em 2013 — se todas as vagas forem preenchidas.

O valor é três vezes superior ao aplicado pelo governo estadual na compra de 211 viaturas entregues nesta à Secretaria de Segurança.

Leia também:
> Veja detalhes sobre os projetos apresentados pelo TJ e Defensoria no blog da Rosane de Oliveira

O aumento nos gastos do Judiciário pode ser maior se os deputados aprovarem uma outra proposta também enviada pelo Tribunal de Justiça (TJ). A Corte quer o reajuste automático do salário dos magistrados gaúchos sempre que ocorrer elevação nos subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o TJ diz que o custo da medida ainda não foi calculado porque, no momento, não ocorreu aumento no Supremo.

A criação de 82 cargos de assessor — de livre preenchimento e com remuneração de R$ 11,2 mil — é responsável pelo maior impacto anual: R$ 15,6 milhões. O volume de recursos envolvidos nos projetos, em momento delicado das finanças estaduais, causou preocupação no Piratini. Entretanto, para evitar atritos, os secretários da Fazenda, Odir Tonollier, e da Casa Civil, Carlos Pestana, optaram por não comentar as propostas.

Na Assembleia, deputados destacaram a necessidade de avaliar eventuais abusos na criação de cargos, mas, em maioria, evocaram a "independência dos poderes".

— O RS tem um grau de judicialização das questões superior aos outros Estados. O bom serviço judiciário tem o seu custo — justificou Márcio Biolchi, líder da bancada do PMDB.

Por outro lado, parlamentares criticaram a vinculação automática dos reajustes dos magistrados gaúchos, medida que também será buscada pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público. O MP igualmente quer a criação de 120 cargos.

— Fazer essa vinculação e prescindir do papel da Assembleia não é adequado — disse Miki Breier (PSB).

A posição de alguns setores da Assembleia segue incógnita devido ao zelo em emitir opinião sobre o Judiciário. Nestes casos, o posicionamento deverá ser discutido reservadamente em reuniões de bancada.

— Ainda não discutimos. Não analisei o projeto. Vamos aguardar — ponderou Gerson Burmann (PDT).

Entenda:

Cargos que o TJ quer criar

30 vagas de desembargador

- Remuneração: R$ 24,1 mil

- Custo em 2013: R$ 11,4 milhões

82 vagas de assessor de desembargador (livre nomeação)

- Remuneração: R$ 11,2 mil

- Custo em 2013: R$ 15,6 milhões

30 vagas de secretário de desembargador (livre nomeação)

- Remuneração: R$ R$ 9,6 mil

- Custo em 2013: R$ 4,9 milhões

50 funções gratificadas para a Secretaria do TJ

- Custo em 2013: R$ 2,2 milhões

- Custo total em 2013: R$ 34,2 milhões

Cargos que o MP quer criar

30 vagas de procurador-substituto

- Remuneração: R$ 24,1 mil

- Custo em 2013: R$ 9,3 milhões

90 vagas de assessor do MP

- Remuneração: R$ 8,8 mil

- Custo em 2013: R$ 10,2 milhões

- Custo total em 2013: R$ 19,5 milhões

ENTREVISTA

Túlio Martins Presidente do conselho de comunicação do TJ

"O Judiciário tem autonomia"

ZH As finanças do Estado permitem aumento de gastos?

Túlio Martins — Quando enviamos o projeto, informamos que os cargos só serão providos se existirem recursos. Se não tiver verba, não tem provimento. Não se trata de preenchimento imediato dos cargos. Mandamos tudo junto porque o processo legislativo é demorado.

ZH O TJ alega ter autonomia financeira. Mas a fonte continua sendo a arrecadação de impostos.

Túlio — O TJ tem autonomia financeira dentro da sua parcela do orçamento. E, constitucionalmente, existe a independência entre os poderes.

ZH Atrelar o reajuste aos ministros do STF não retira a possibilidade de o Estado avaliar a conveniência do reajuste?

Túlio — Se o TJ não tiver recursos, observando a Lei de Responsabilidade Fiscal, não serão feitos pagamentos. Encaminhamos o projeto para fazer o que outros tribunais fazem. Apenas sete Estados não contam com o sistema automático do STF.

Edegar Pretto Líder da bancada do PT na Assembleia

"A situação do RS não é fácil"

ZH — O aumento salarial automático para os juízes é adequado?

Edegar Pretto — Essa prerrogativa (de votar propostas de reajuste) é da Assembleia, e queremos que assim continue. Ficaria tudo no automático, de cima para baixo. Com essa regra, o Estado, independentemente da situação financeira em que estiver, terá de acatar o aumento salarial vindo de Brasília. Não tem cabimento.

ZH — E a criação de 142 cargos no atual momento?

Pretto — Vamos avaliar os argumentos e a necessidade. Mas, em uma primeira avaliação, é muita coisa. A situação financeira do Estado não é fácil. Tem de haver um compartilhamento entre os Poderes para resolver isso.

ZH — O MP prepara o envio de projetos semelhantes à Assembleia. Isso preocupa?

Pretto — Com certeza. São movimentos unitários que vão puxando outros. Temos de analisar no conjunto, pois há um desencadeamento de processos que se torna complicado.

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros