Envolto em controvérsias desde o seu nascimento, na gestão Yeda Crusius, o projeto da Rodovia do Progresso foi definitivamente enterrado nesta segunda-feira pelo governo Tarso Genro.
Para o Piratini, o estudo elaborado pela Odebrecht e avalizado pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana (Granpal) tinha cálculos distorcidos que ampliariam os custos para o Estado.
A ERS-010 é considerada estratégica para desobstruir o trânsito na Região Metropolitana. O projeto elaborado em 2009 estava sob análise do governo petista desde o início do mandato em 2010. A cúpula do Piratini chegou a rachar em relação à proposta. Venceu o lado dos secretários Carlos Pestana (Casa Civil) e João Victor Domingues (Assessoramento Superior do Governador).
— A gente chegou à conclusão que o interesse público não estava suficientemente claro para que a gente, enquanto gestor, dissesse que esse é o melhor modelo — disse Pestana.
O governador transferiu para a Secretaria de Infraestrutura e ao Daer a responsabilidade pela elaboração dos projetos básicos da rodovia e das duas estradas que darão acesso a ela.
Pestana negou que a construção da estrada tenha voltado à estaca zero:
— Havia diferenças de valores entre aquilo que foi proposto pela Odebrecht e aquilo que tínhamos de informação do Daer. O projeto básico nos dará a condição de ter um valor mais justo para a obra.
Presidente da Granpal, João Carlos Brum (PTB) lamentou a decisão:
— É muito mais lógico ajustar os valores do que desistir do projeto. Não adianta, eles não querem fazer. As manobras são para não sair a obra.
O despacho do governador também orienta a Casa Civil e a Secretaria do Planejamento a abrir negociações com o governo federal. A intenção do Piratini é que a União assuma os custos de parte da obra, referente às duas estradas adjacentes. Pestana ressaltou que "há um interesse muito grande do governo federal em investir na Região Metropolitana" e citou como exemplo a ampliação da BR-116 no trecho entre Porto Alegre e Novo Hamburgo, onde serão acrescentadas duas pistas, ainda sem previsão de início.
Apesar de enfatizar a intenção do governo estadual em construir a Rodovia do Progresso, João Victor fez uma série de ponderações sobre a necessidade da obra:
— É importante que o poder público tenha certeza do impacto que vai ter a BR-448 e a melhoria da BR-116 na quantidade de veículos que vai circular na 010. Porque, senão, vamos estar assumindo um compromisso que sem sabermos exatamente onde essa conta vai parar.
Apesar de rejeitar a proposta da Odebrecht, o governo garante que manterá conversações com a empresa para eventuais alterações no modelo de parceria público-privada (PPP). Sobre o pagamento do projeto elaborado pela construtora, João Victor afirmou que a questão será avaliada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE).













