Cerimônia badalada22/11/2012 | 18h42

Como presidente do STF, Joaquim Barbosa discursa contra a desigualdade no acesso à Justiça

Ministro pregou que o Judiciário se esforce para dar respostas rápidas à sociedade

Enviar para um amigo
Como presidente do STF, Joaquim Barbosa discursa contra a desigualdade no acesso à Justiça Nelson Jr./Divulgação / STF
"Há um grande déficit de Justiça entre nós", destacou Barbosa Foto: Nelson Jr. / Divulgação / STF

O ministro Joaquim Barbosa, que tomou posse nesta quinta-feira como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aproveitou o momento para criticar a desigualdade de acesso à Justiça e a subordinação que os juízes precisam se submeter para ascender profissionalmente.

— Há um grande déficit de Justiça entre nós. Nem todos os brasileiros são tratados com igual consideração quando buscam a Justiça. Ao invés de se conferir a restauração de seus direitos o mesmo tratamento dado a poucos, o que se vê aqui e acolá - nem sempre, é claro, mas às vezes sim - é o tratamento privilegiado, o bypass. A preferência desprovida de qualquer fundamentação racional — discursou.

Para o ministro, o Judiciário deve ser "sem firulas, sem floreios, sem rapapés" e deve se esforçar para dar resposta célere à sociedade, com duração razoável do processo. Segundo Barbosa, a lentidão processual pode produzir um "espantalho capaz de espantar investimentos produtivos de que tanto necessita a economia nacional".

— De nada valem as edificações suntuosas, os sistemas de comunicação e informação, se naquilo que é essencial a Justiça falha porque é prestada tardiamente e porque presta um serviço que não é imediatamente fruível — argumentou.

Na última parte do discurso, Barbosa reforçou a independência do juiz e a necessidade de afastá-lo da má influência para a ascensão profissional.

— Nada justifica a pouco edificante busca de apoio para uma singela promoção de juiz de primeiro grau. Ele deve saber quais são suas perspectivas de promoção e não tentar obter pela aproximação do poder político dominante no momento.

Barbosa finalizou agradecendo a presença de seus parentes e amigos estrangeiros que vieram ao país especialmente para prestigiar a posse.

Solenidade contou com a presença de autoridades e celebridades

A posse do ministro reuniu autoridades e artistas que lotaram o plenário da Corte e outras áreas do tribunal, especialmente preparadas para o evento. Marcada para as 15h, a posse começou por volta das 15h30min, com a presença da presidente Dilma Rousseff e dos presidentes do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP), e da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS).

A cerimônia também reuniu governadores como Agnelo Queiroz (Distrito Federal), Jaques Wagner (Bahia), Geraldo Alckmin (São Paulo), Antonio Anastasia (Minas Gerais) e Ricardo Coutinho (Paraíba); ministros de Estado, entre eles José Eduardo Cardozo (Justiça) e Luís Inácio Adams (Advocacia-Geral da União); e ex-ministros do STF, como Ellen Gracie, Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto, antecessor de Barbosa na presidência. Britto se aposentou compulsoriamente no último domingo (18) depois de completar 70 anos de idade.

Parentes de Barbosa e do vice-presidente Ricardo Lewandowski, ministros de tribunais superiores, representantes classistas da magistratura e lideranças do movimento negro puderam ser vistas no plenário. A classe artística e esportiva foi representada por Milton Gonçalves, Lázaro Ramos, Lucélia Santos, Martinho da Vila, Regina Casé, Nelson Piquet e o ex-jogador de futebol e atual deputado federal Romário (PSB-RJ). O Hino Nacional foi executado pelo bandolinista brasiliense Hamilton de Hollanda.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros