O temor de que a mudança de critérios para as promoções na Brigada Militar, efetivada pelo governo Tarso Genro no começo do ano, servisse para a ascensão de apadrinhados políticos na corporação ganhou força nos últimos meses com base em dados concretos.
Depois da aprovação da lei que triplicou o peso da avaliação subjetiva, ocorreu um aumento de 172% do que é conhecido no jargão da instituição como "carona", ou seja, situação em que candidatos bem avaliados por merecimento ultrapassam dezenas de colegas melhor colocados na lista por antiguidade.
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Na última leva de promoções antes da mudança, em novembro de 2011, houve 18 casos de caronas nas promoções por merecimento — critério cujas notas são embasadas em análise subjetiva — a majores e a tenentes-coronéis. Em junho de 2012, a ascensão por carona se concretizou em 49 situações. O levantamento foi feito pela Associação dos Oficiais da Brigada Militar (Asof) a pedido de Zero Hora. O uso dos novos critérios para benefício de PMs ligados ao governo ou a outras autoridades também ajudaria a criar um quadro paralelo na corporação, com a promoção de oficiais acima do número de vagas previsto, conforme ZH revelou na edição de quarta-feira.
Quando a lei que alterou os critérios de avaliação estava em debate na Assembleia Legislativa, a principal crítica da oposição era justamente de que a nova regra permitiria amplas vantagens a oficiais ligados ao governo.
— É grave que numa corporação militar, com hierarquia forte, se tenha critério de ascensão subjetivo, às escuras, podendo valer qualquer elemento que não a qualificação funcional. Isso pode criar injustiças e deformação no sistema de comando. Na prática, uma pessoa mais qualificada e mais velha, por critério político, será ultrapassada por outra sem preparo, sem tempo de atuação, sem experiência e sem qualificação. Como explicar isso a um oficial que se preparou? — diz o deputado Márcio Biolchi, líder da bancada do PMDB.
Um dos críticos do projeto de lei que alterou os critérios de promoções, Biolchi pondera que pode haver algum grau de subjetividade na avaliação, até para beneficiar alguém que seja dedicado ao trabalho mas não tenha conseguido fazer cursos de qualificação, por exemplo.
— Mas essa flexibilidade, essa subjetividade, não pode valer 18 pontos — afirma.
Com a proximidade da publicação de uma nova lista de promovidos, os receios de que ocorra mais uma leva de benefícios aumentaram. A Associação de oficiais (Asof) tem apontado que estão melhor classificados candidatos que estão cedidos ou trabalham em gabinetes na corporação, sendo preteridos os que atuam na linha de frente do combate à criminalidade.
ZH pediu na tarde de sexta uma manifestação do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Sérgio de Abreu, sobre o levantamento feito pela Asof. No gabinete dele, solicitaram que os dados fossem enviados por email. Até o fechamento da edição impressa do jornal, no entanto, o coronel não havia dado retorno sobre os dados.












