Comitiva gaúcha em Cuba04/11/2012 | 17h44

Abertura da economia cubana cria oportunidades para empresas gaúchas

Governador Tarso Genro encerra nesta segunda-feira a visita de quatro dias a Havana

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Rosane de Oliveira/Enviada especial a Havana

rosane.oliveira@zerohora.com.br

Frases como "Revolución o muerte" ou "o sistema socialista es intocable" ainda podem ser lidas em muros, com letras desgastadas pelo tempo, mas são visíveis os sinais de abertura econômica em Cuba.

Mais por necessidade do que por opção, o regime está sendo obrigado a aceitar a profissionalização na gestão das empresas em que está associado ao setor privado e a autorizar os cubanos a abrirem pequenos negócios. De abertura política, nem sinal.

A abertura econômica ainda é uma fenda, mas o governador Tarso Genro encerra nesta segunda-feira a visita de quatro dias a Havana convencido de que ela é inexorável:

— É uma questão de sobrevivência. Eles não têm outro caminho.

— Não se pode dizer que eles seguirão o exemplo da China, mas a abertura econômica é uma realidade — atesta Alexandrino de Alencar, diretor da Odebrecht, empresa que está construindo o Porto de Mariel, um projeto estratégico para transformar a ilha num centro de distribuição para o Caribe.

É nesse processo que se abrem oportunidades para as empresas gaúchas. O presidente da Fiergs, Heitor Müller, usou uma frase que sintetiza o pensamento dos empresários que integram a comitiva do Rio Grande do Sul em Cuba:

— Este país está se abrindo para o mundo. Quem chegar primeiro, bebe água limpa. Quem chegar tarde tomará água suja.

Surpreso com o movimento de abertura econômica, Müller recomendou aos empresários que tentem estabelecer contatos e mostrar o que o Rio Grande do Sul produz. Sem perder tempo, Müller convidou a diretora de relações internacionais da Câmara de Comércio de Cuba, Celia Labora, para visitar o Estado, se possível ainda neste ano.

O empresário lembrou o que vem sendo dito pelo governador Tarso Genro: são economias que se complementam, não competem entre si, o que facilita as exportações gaúchas.

Tarso lembrou que Cuba tem a mesma população e o mesmo PIB do Rio Grande do Sul. O problema é a falta de crédito para as exportações. Para superar essa barreira, o Badesul criou uma linha especial de financiamento aos exportadores. Neste domingo, foi assinado o primeiro contrato com a Shoes Export, um braço da Piccadilly, no valor de R$ 1 milhão. 

Outra dificuldade para os empreendedores é o sistema de compras cubano, todo centralizado nas mãos do governo. O GAE é uma espécie de guarda-chuva sob o qual estão mais de duas dezenas de estruturas estatais responsáveis por compras que somam mais de US$ 20 bilhões por ano.

Coordenador da missão e presidente da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Marcus Coester, que esteve com o presidente do GAE, se convenceu da importância das relações políticas para facilitar os negócios. Foi a aproximação do ex-presidente Lula com o governo cubano que colocou o Brasil entre os principais exportadores para Cuba.

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