Com espaço reduzido para propaganda na TV, obter uma votação expressiva para vereador é uma tarefa árdua — mas cumprida à risca por Pedro Ruas (PSOL) e João Derly (PC do B). Ontem, Ruas (reeleito) e Derly, que estreará na Casa no ano que vem, estiveram no plenário. Ambos conversaram com João Dib (PP), vereador mais experiente da Capital e que deixará a vida pública após 10 mandatos. No pé da matéria, ele apresenta suas dicas aos iniciantes.
Pedro Ruas (PSOL), o mais votado da Câmara: "Mandato é instrumento de luta"
Ruas, rumo ao quinto mandato, conversou com Dib
Foto: Leonardo Contursi, CMPA , Divulgação
Vereador mais votado de Porto Alegre, com 14.610 o reeleito Pedro Ruas, 54 anos, não deixa de ver um certo simbolismo no fato de que o mesmo eleitorado que reelegeu José Fortunati prefeito no primeiro turno também reconduziu à Câmara os dois vereadores do PSOL (ele e Fernanda Melchionna), oposição declarada ao Executivo.
— Fomos uma oposição aguerrida no Legislativo, e seremos de novo, mantendo nossa forma de fazer política, com seriedade e com olho no olho — comentou ainda no domingo, enquanto comemorava a vitória com a militância na sede do partido.
Advogado trabalhista, Ruas vai para o quinto mandato na Câmara de Vereadores. Leia trechos da entrevista:
Zero Hora — O senhor não é novidade na Câmara. A que atribui o fato de ter sido o vereador mais votado? Pode ser o efeito Luciana?
Pedro Ruas — Ao tipo de mandato de luta. O PSOL está em todos os movimentos sociais, em defesa das mulheres, dos direitos humanos, de moradia digna. É um partido que vem para fazer a diferença. O mandato tem que ser instrumento dessa luta e as pessoas reconheceram que tivemos compromisso com as mesmas lutas e sempre com coerência.
ZH — O PSOL é conhecido pela oposição aguerrida. Pode ser mais propositivo no próximo mandato?
Ruas — O parlamentar tem duas funções essenciais: fiscalizar a legislar. Nós somos propositivos, apresentamos uma série de projetos, mas não é fácil aprová-los. Estou indo para meu quinto mandato e tem projetos meus que são leis.
João Derly (PC do B), o segundo mais votado: "O objetivo do esporte é o legado"
Derly, estreante na Câmara, esteve no plenário e ouviu conselhos
Foto: Leonardo Contursi, CMPA , Divulgação
Foi um desempenho surpreendente como um wazari de última hora. O judoca João Derly de Oliveira Nunes Júnior, de 31 anos, recém disputou sua primeira eleição e já se sagrou medalha de prata entre os eleitos para a Câmara em 2012. Com 14.038 votos, João Derly, como ficou conhecido, foi o segundo vereador mais votado da Capital.
Derly foi durante anos um dos principais nomes do esporte no Brasil — foi bicampeão mundial e bicampeão pan-americano. Ele acredita que um dos segredos de sua campanha foi a disposição. Diz ter feito uma campanha com muito pé na rua, explicando suas propostas — a maioria delas ligadas ao uso do esporte como elemento de políticas sociais.
ZH — O que o fez querer entrar na política?
João Derly — Praticando esporte por tanto tempo pude ver como o poder público tratava o esporte. Esporte não é prioridade e eu queria mudar isso, pois quando a gente fala de esporte a gente dialoga com a segurança, com a saúde, com a qualidade de vida, com a prevenção da drogadição, mexe com renúncias, com foco, com objetivos. O grande objetivo do esporte não é a medalha, mas sim o legado que ele te deixa.
ZH — O que um ex-judoca pode fazer na Câmara, sem ter poder ou verbas para executar projetos?
João Derly — Podemos cobrar do prefeito ainda mais, influir na divisão do orçamento, lutar por ampliação de verbas para o esporte e ser um propositor dentro da Câmara com projetos para as diversas áreas, especialmente, para o esporte.
Três lições de Dib
Vereador mais antigo em exercício na Câmara, João Dib, 83 anos, está se despedindo do Legislativo. Com experiência de 10 mandatos, deixa dicas aos novatos:
— Já temos leis demais. Me diz um assunto qualquer que eu te mostro que já tem uma lei.
Veja as dicas do veterano:
1) Servir: quando o interesse da cidade está em jogo, está em primeiro lugar. Não tem partido.
2)Fiscalizar: é importante observar a execução orçamentária, a movimentação do plano diretor e o cumprimento das leis. Não adianta fazer leis e não fiscalizar.
3) Corresponder à confiança do eleitor: quando a população procura, tem de ser atendida. Eu fui prefeito e tinha o telefone na lista. Sempre atendi o telefone do gabinete. Tem que sempre responder. Se confiaram em mim, tenho que corresponder. Mesmo agora eu respondia, até para dizer que não dá para fazer.








