Sem cartão-ponto10/07/2012 | 05h38

Assembleia se manifesta sobre a servidora que não cumpria expediente

Zero Hora acompanhou a rotina de Lídia Rosa Schons, que atua no parlamento

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Lídia Rosa Schons é lotada na superintendência-geral do parlamento, cedida à bancada do PDT, mas presta serviços no gabinete do deputado Paulo Azeredo (PDT). A Casa diz não ser responsável pelo controle do trabalho dela. A explicação deveria ser dada pelos gestores de Lídia — Azeredo, para quem ela presta serviço direto, o deputado Gerson Burmann, que atestou a efetividade dela, e o chefe de gabinete de Azeredo. Ouvidos por ZH, nenhum deles se responsabilizou pelas ausências de Lídia ou pelo horário reduzido de trabalho que ela afirma ter. Confira as entrevistas concedidas por eles:

Gerson Burmann

Líder da bancada do PDT

"Não vou prejulgar, não sei nem quem é"

ZH — O senhor conhece a servidora Lídia Rosa Schons, que é lotada na superintendência-geral, mas foi cedida à bancada do PDT?

Gerson Burmann — Por nome não, porque, na verdade, tem alguns que realizam trabalho nos gabinetes de deputados.

ZH — A pessoa ligada à bancada pode trabalhar nos gabinetes?

Burmann - Pode. Temos um acordo interno na bancada que cada deputado pode pegar um ou dois assessores.

ZH — No caso de Lídia, quem atesta a efetividade dela, quem diz que ela trabalhou, é o senhor, segundo a Assembleia. Como o senhor dá efetividade a uma pessoa que o senhor nem conhece?

Burmann — É que tu recebe o atestado do deputado de que ela cumpriu o trabalho.

ZH — O atestado é do deputado ou de outra pessoa do gabinete?

Burmann — Normalmente, é do deputado. Eu teria que dar uma verificada para dizer com toda a certeza.

ZH — Esse sistema não é falho, já que o senhor atesta que uma pessoa que o senhor não conhece, que o senhor não vê trabalhando, trabalhou?

Burmann — Cada um tem a sua responsabilidade. Se ela está cedida a um gabinete, é ele (o deputado) quem está atestando o trabalho dela. Não vejo problema. Se tu pegar de todos os CCs, temos aquele problema, por exemplo, dos assessores do Interior. Quem atesta é o próprio deputado. Cada deputado tem a sua responsabilidade de atestar.

ZH — Chama a sua atenção o fato de a funcionária, que tem uma função gratificada de alto valor, só trabalhar de manhã?

Burmann — É uma questão de cada deputado ver para quem dá os cargos. Não vou prejulgar (a funcionária), não sei nem quem é.

ZH — Deveria haver maior controle sobre o horário de trabalho dos servidores?

Burmann - Teria que estudar esse caso. É a responsabilidade de cada um.

ZH — É a sua assinatura que está nos últimos documentos de efetividade dela. Perante a Assembleia, o responsável é o senhor.

Burmann - É que eu tenho um atestado dela prestando um serviço.

ZH — O senhor, como líder da bancada, pretende apurar o caso?

Burmann — Vou dar uma olhada, falar com o Paulo (deputado Paulo Azeredo), ver quem é que é. Não sei, não saberia te dizer. Teoricamente, é mais ele que teria de ver o que ela faz, qual a função que desempenha, se é importante ou não é.

ZH — Ela é recepcionista, atende ao telefone no gabinete.

Burmann - Bom, eu não sei, cada um, cada um.

Jose Renato Heck

Chefe de gabinete do deputado Paulo Azeredo (PDT)

"Ela tem de fazer as oito horas"

ZH — Temos a informação de que a funcionária do gabinete Lídia Rosa Schons não cumpre horário integral. Observamos alguns dias e verificamos que ela não retornou à tarde.

Jose Renato Heck — Não, ela retorna sim. Ela sai depois da maioria, e retorna 14h30min, 15h, conforme o horário que ela sai. Ela sai no horário que aliviar o serviço aqui.

ZH — Ela é recepcionista?

Heck - Ela trabalha em todos os setores do gabinete. Assessora o gabinete, vai na superintendência, faz todo o serviço da Casa.

ZH — Quem escolheu Lídia para trabalhar no gabinete?

Heck - O deputado escolheu porque ela é uma boa funcionária.

ZH — Ela tem uma função gratificada alta, equivalente a valor de um diretor, superior a R$ 10 mil.

Heck - Não, não chega a tanto.

ZH — É o que está no Diário Oficial.

Heck - Teria que olhar o Diário Oficial. Não faço ideia.

ZH — Nós observamos em alguns dias que ela não retornava para trabalhar à tarde.

Heck — Retorna sim, inclusive, agora, está aqui.

ZH — Ela nos disse que trabalha das 8h30min às 13h30min. Pede autorização para sair, não voltar, porque tem mãe doente.

Heck - Quanto a isso eu não sei te dizer se ela tem mãe doente. Da família eu não pergunto.

ZH — O senhor desconhece que ela pede para sair porque a mãe precisa de cuidados?

Heck - Não questiono a questão familiar dela.

ZH — Mas o senhor tem conhecimento?

Heck - Ela diz que sai para cuidar da mãe, mas ela volta.

ZH — Ela disse que é o senhor que autoriza as saídas dela.

Heck - Eu não autorizo ninguém, tem que cumprir horário. O que tem às vezes é que entra mais cedo e sai mais cedo. Ela tem de fazer as oito horas.

ZH — Quem atesta a efetividade dela?

Heck - É comigo e com o deputado.

ZH — O senhor não tem conhecimento de que ela não cumpre as oito horas diárias?

Heck - Ela cumpre as oito horas, sim.

ZH — E os dias em que vimos que ela não retornou ao trabalho à tarde?

Heck - Não saberia te dizer, pois tenho cobrado do pessoal as oito horas.

Paulo Azeredo

Deputado do PDT

"Eu não tenho esse controle"

ZH — Por que a servidora Lídia Rosa Schons não cumpre as oito horas previstas em lei?

Paulo Azeredo — Não tenho esse controle, ainda mais com essa questão de campanha, viaja para cá e para lá, não tenho ficado no gabinete. Se ela tem saído, vai com cachorro na praça, eu não tenho conhecimento.

ZH — O senhor exige cumprimento de oito horas para seus funcionários?

Azeredo — Não existe essa exigência. Tem pessoal que faz trabalho interno, outros, externo. Tu não sabe se está cumprindo. Não tem um controle. Uma época eu coloquei um controle de assinar ponto. As pessoas assinavam, mas era tão ridículo controlar aquilo. Era importante, mas era ruim ficar olhando o ponto (as explicações). Uns trabalham mais num dia, menos no outro. Não tem controle, rigor.

ZH — Nós observamos ela por 15 dias e vimos ela não voltar ao trabalho.

Azeredo — Vou ter que ver. Eu não tenho esse controle. Não há essa exigência.

ZH — Ela saía entre 12h e 13h e não voltava.

Azeredo — Tem dias que sai, volta depois de novo. A Assembleia é um entra e sai.

ZH — Quem atesta a efetividade no seu gabinete? É o chefe de gabinete?

Azeredo — Sim. Trabalho interno é do chefe de gabinete. Mas vou ver com ele. Realmente, há uma elasticidade na Assembleia para trabalhar. Não é só no meu gabinete ou com a Lídia.

ZH — Ela ganha em torno de R$ 24 mil brutos. O senhor fala em elasticidade. Não deveria haver controle maior já que é dinheiro público?

Azeredo - É uma flexibilidade das coisas.

ZH — Não deveria ter controle maior?

Azeredo — Concordo. É o sistema da Assembleia.

ZH — Denúncias desse tipo, de pessoas que não trabalham, não são novidade na Assembleia. Não deveria haver controle?

Azeredo - Tentei. Colocamos ponto manual. Tentei fazer controle.

ZH — Por que o senhor desistiu de fazer o controle no gabinete?

Azeredo - Porque foi difícil fazer. Quando tem um trabalho em que muitos transcendem as oito horas, outros chegam mais tarde, saem mais tarde, tem essa variação. Acho que o controle tinha de ser na entrada da Casa e envolvendo todos os gabinetes para ser justo.

ZH — A servidora nos disse que trabalha meio turno, que é autorizada a sair.

Azeredo - Eu não autorizei a não trabalhar de tarde nem trabalhar meio turno. Vou ver quem autorizou. Se trabalhou meio turno hoje, teve de sair, vai trabalhar amanhã mais para pagar aquele horário. Já teve momentos em que eu descontei de pessoas que não vinham.

Comentar esta matéria Comentários (18)

Everton

Não votem mais nesse cara. Não tem capacidade sequer de controlar o ponto de seus contratados. Deviam investigar para onde vai a outra parte do salário desta telefonista.

10/07/2012 | 13h59 Denunciar

Filipe

O Eduardo está certo....parte deste "salário" certamente vai para o partido.

10/07/2012 | 13h47 Denunciar

mauricelo

Cleber Santana está certo. Tudo que envolve política no Brasil termina do mesmo jeito, ou seja, saque aos cofres públicos. Furtam o povo assim, com a maior cara de pau: "não sei","não vi","vc quem está dizendo". Os RATOS só estão no poder, por que os colacaram lá. Viva democracia! Abaixo a Ditadura!

10/07/2012 | 13h25 Denunciar

lady Hawk

Esses caras merecem um ovo podre

10/07/2012 | 13h20 Denunciar

Lady Hawk

lendo a reportagem até parece que ele é o patrão. Quanto tempo ele ficaria no cargo se trabalhasse em empresa privada? Tá na hora de fazer um politico trabalhar.

10/07/2012 | 13h19 Denunciar

CLAUDIA NARA

FIM DOS TEMPOS ,GENTE BEM SEM VERGONHA.ELES NÃO TÃO NEM AI PARA O POVO.EU TÔ INDIGNADA COM ISSO.

10/07/2012 | 13h18 Denunciar

carlos antonio da silva

o nobre deputado e seu assessor acham ridiculo controlar o ponto do funcionário, ridiculo e o povo que paga impostos, ganha salário minino, em onibus abarrotados que nem gaiolas, existe a conivência de todos que fazem parte deste sistema e usufruem destas mordomias enquanto povo e feito de idiota.

10/07/2012 | 12h30 Denunciar

Filipe

Estamos perdidos com estes caras aí!!! Dinheiro é público né... Que tal uma FG para o cachorrinho???

10/07/2012 | 11h59 Denunciar

elaine

Por favor! Guardem estes nomes! Não votem mais nessas pessoas! Isso é uma vergonha! Enquanto isso educação, saúde e segurança padecem! Limpeza na Assembléia já!

10/07/2012 | 11h43 Denunciar

leonardo

Onde estão aqueles que estavam defendendendo a causa nobre da privacidade na divulgação dos salários? Taí o motivo oculto pra tamanho burburinho. Lembrando: a principal distorção de valores não está no salário base, mas nos diversos penduricalhos recebidos. Tudo deve ser de conhecimento PÚBLICO.

10/07/2012 | 11h40 Denunciar

Leila Simone

O pior de tudo, foi o Deputado ter declaro que a falta de controle com o dinheiro Público se deve a "FLEXIBILIDADE DA COISA" Flexibilidade dos beneficios desordenados, isso sim !

10/07/2012 | 10h55 Denunciar

cleber santana

Uma Assembléia Legislativa com 1500 funcionários já diz tudo. Não adianta espernearem que a situação não vai mudar. O Negócio é arrumar uma boquinha igual a esta e o povo que se lixe.

10/07/2012 | 10h37 Denunciar

Dellisa

É revoltante ver que,pessoas que deveriam dar o exemplo são as que mais decepcionam e dão desculpinhas!E,esta senhora 'trabalhadora' não tem vergonha de falar que tem o aval dos 'chefes'?Passando a responsabilidade de seus atos errados para os outros!Caráter se tem, ou não...não se adquire!

10/07/2012 | 09h15 Denunciar

Dellisa

Até este momento, eu era contra a divulgação dos salários na internet(por questões de segurança pessoal destes 'trabalhadores'!). Mas, vou 'conta uma coisa prá tu': QUE PALHAÇADA! Uma 'curica' destas ganhando R$ 24.000,00 para levar o cachorrinho na praça... (continua)

10/07/2012 | 08h57 Denunciar

Eduardo

É provável que parte do salário dela vai para o partido ou o deputado. Fica a dica de quebrar o sigilo fiscal dela, não é surpresa achar saques ou repasses mensais e pontuais de valores semelhantes. Explica-se porque os deputados incham seus gabinetes com um exército de "Barnabés" sanguessugas.

10/07/2012 | 08h56 Denunciar

rosangela

Gostaria de informar ao prezado Deputado e seus acessores que já existem sistemas automatizados para controle de ponto! Vão contar estória pra boi dormir bando de....

10/07/2012 | 08h55 Denunciar

Pablo

Completo jogo de empurra! É por isso que nunca sobre dinheiro para a educação, saúde, estradas...

10/07/2012 | 08h27 Denunciar

Sergio Silva

Simplesmente ridiculas as explicações. Representantes do povo como estes deviam ser lembrados sempre, e proibidos de se elegeram por má gerencia do dinheiro público. Sergio Silva

10/07/2012 | 08h03 Denunciar

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