Escândalo em família05/06/2012 | 07h36

Irmão de Demóstenes será investigado por suposto envolvimento com Carlinhos Cachoeira

Conselho Nacional do Ministério Público pretende instaurar sindicância para apurar tráfico de influência

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O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) vai investigar o envolvimento do procurador-geral de Goiás, Benedito Torres, irmão do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO, atualmente sem partido), com o grupo comandado por Carlinhos Cachoeira. A portaria foi publicada no último dia 29.

O corregedor nacional do MP, Jeferson Luiz Pereira Coelho, entendeu, após analisar a reclamação disciplinar, que havia elementos suficientes para instaurar uma sindicância e aprofundar as apurações. Segundo o CNMP, a investigação apura se houve tráfico de influência.

Coelho também vai acompanhar os desdobramentos da representação encaminhada por promotores à Corregedoria do MP goiano sobre um suposto esquema de espionagem montado no órgão.

Conforme revelou na segunda-feira o jornal O Estado de S. Paulo, membros do Ministério Público denunciaram que um programa de computador oculto permitia acesso livre e irrestritos às máquinas. Promotores que atuam no combate ao crime organizado e nas investigações relacionadas à Delta Construções em Goiás foram alvo do software espião.

Membros da CPI vão cobrar explicações de Torres sobre o programa espião. O deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) vai apresentar requerimento para que o procurador de Goiás explique, por ofício, o funcionamento do software e como foi usado.

— Os membros do MP são resguardados pela autonomia funcional. Não tem sentido esse tipo de bisbilhotice — defende o parlamentar.

Autor da convocação de Torres, o deputado Rubens Bueno (PPS-PR) pediu aos técnicos do partido uma análise sobre o software.

— Queremos saber quais as intenções para entrar e acompanhar o trabalho dos promotores. ê uma denúncia muito grave, ainda mais porque alguns promotores estão investigando a Delta.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) vai sugerir que os promotores deponham. O MP de Goiás nega qualquer iniciativa de espionagem. Em nota dos técnicos de informática, o órgão afirma que o sistema só pode ser usado com o consentimento do usuário. O procurador-geral Benedito Torres nega qualquer relação como grupo de Cachoeira e prometeu colaborar com as investigações.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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