Baixa na defesa 22/05/2012 | 20h03

Duas únicas testemunhas desistem de defender Demóstenes no Conselho de Ética

Carlinhos Cachoeira, um dos listados pelo senador, declinou do convite por temor de seus advogados

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Duas únicas testemunhas desistem de defender Demóstenes no Conselho de Ética Léo Saballa Jr./Rádio Gaúcha
Demóstenes isolado dos colegas no debate da Lei Geral da Copa no plenário do Senado no início do mês Foto: Léo Saballa Jr. / Rádio Gaúcha

O senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) perdeu nesta terça-feira suas duas únicas testemunhas de defesa no processo de cassação no Conselho de Ética do Senado. Depois do advogado Ruy Cruvinel ter declinado do convite para ajudar a defender o senador, os advogados da segunda testemunha arrolada pela defesa, o contraventor Carlinhos Cachoeira, informaram que ele também não irá.

Cachoeira silencia: "Vou usar o meu direito de ficar calado"

— O depoimento coincide com o objeto da ação penal que ele responde e não é bom antecipar suas declarações — disse a advogada Dora Cavalcanti, que faz parte da equipe do defensor de Cachoeira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

A avaliação da defesa é que, se der declarações ao Conselho, Cachoeira pode produzir provas contra si. Mesmo na CPI, onde foi obrigado a comparecer na tarde desta terça-feira, Cachoeira silenciou — por orientação do advogado. Ruy Cruvinel, um advogado de Goiás, foi convidado a pedido de Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, defensor de Demóstenes.

Sem nenhum envolvimento claro no caso, informou por ofício ao Conselho que, como não era obrigado a comparecer, preferia preservar sua privacidade e a da sua família. Logo depois da prisão de Carlinhos Cachoeira, um jornal de Goiânia teria publicado que Cruvinel, ao ser preso, teria dito que Demóstenes era sócio do contraventor.

A notícia teria sido usada pelo Ministério Público contra o senador, mas depois o próprio Cruvinel teria afirmado que nunca fora preso e nem teria dito nada sobre Demóstenes.

— Isso foi usado pelo Ministério Público. Mas em uma nota o advogado dele disse que ele nunca foi preso e nem conhece o senador. Isso mostra que em um processo midiático como esse as coisas crescem mesmo não sendo verdade — justificou Kakay.
Para o relator do caso, senador Humberto Costa (PT-PE), a ausência das testemunhas de defesa não muda o processo e o prejuízo é apenas para Demóstenes. O cronograma, afirma, continuará sendo seguido à risca. Nesta terça, o depoimento do senador foi atrasado em um dia e remarcado para a próxima terça-feira, às 9h30 da manhã. Inicialmente seria na segunda-feira à noite, às 18h.

Kakay confirmou que Demóstenes vai fazer sua defesa.

— Ao Conselho de Ética acho que ele tem que vir. Acho que ele tem que prestar satisfação a seus pares — afirmou.

O advogado ainda espera que Humberto Costa decida sobre um pedido que fez, de perícia nas gravações feitas pela Polícia Federal de conversas entre membros do grupo de Cachoeira e o Demóstenes. Ele alega que há deturpações nas transcrições que prejudicam o senador.

— Seria importante que isso fosse feito antes do depoimento do senador — afirma.

Humberto Costa prometeu analisar o pedido, mas garante que não fará diferença.

— Eu não usei essas gravações no meu relatório preliminar e não pretendo usar agora. Meu relatório é baseado em fatos notórios, não nas gravações — alegou.


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