A presidente Dilma Rousseff veio ao Rio Grande do Sul unicamente para prestigiar a abertura da 29ª edição Festa da Uva, em Caxias do Sul. Ao contrário das últimas visitas, quando anunciou investimentos fundamentais ao Estado, como a construção da ponte do Guaíba, o metrô da Capital e o pagamento da dívida com a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Dilma não trouxe grandes notícias aos gaúchos na tarde desta quinta-feira.
Pedetistas até alimentavam uma última esperança de que a presidente pudesse aproveitar a rápida passagem por Caxias — pouco mais de duas horas — para anunciar o nome deputado gaúcho Viera da Cunha como novo ministro do Trabalho, porém o impasse com o diretório nacional do partido frustrou a expectativa.
No entanto, ao longo do discurso de 17 minutos na cerimônia de abertura das festividades, Dilma deu garantias importantes aos empresários e vitivinicultores da Serra. E fez promessas. Como consequência, foi interrompida em vários momentos por aplausos.
Na terra onde está montado o segundo maior polo metal-mecânico brasileiro, com atuação de empresas com apelo internacional, prometeu combater práticas comerciais classificadas por ela como "predatórias":
— Não iremos ficar ineptos diante da necessidade de se investir e combater todas as práticas comerciais predatórias. Podem ter certeza, o governo se encarregará de tomar todas as providências previstas na Organização Mundial do Comércio (OMC) no que se refere às praticas comerciais assimétricas e danosas.
As providências, conforme ela, são necessárias no momento atual, de crise internacional, em que o Brasil é obrigado a conviver com uma "intensa concorrência", consequência do estado de estagnação ou recessão dos mercados países desenvolvidos.
— Vocês podem ter certeza que iremos adotar medidas tributárias de estímulo à tributação e à exportação, além da adoção de medidas de proteção — disse, seguida por aplauso dos cerca de 5 mil convidados para a cerimônia.
Aos empresários e agricultores, a presidente ainda reafirmou o compromisso de o país crescer 4,5% em 2012. A receita para tal, segundo ela, é a combinação entre investimentos público e privados, acompanhada de uma melhoria na gestão dos gastos do governo.
Elogios e quebra de protocolo
Ao ocupar a tribuna — Dilma foi a última a discursar e encerrou a cerimônia de pouco mais de uma hora —, a presidente mostrou-se bem humorada. Dilma estava tão à vontade que pediu permissão ao governador Tarso Genro para quebrar o protocolo.
Antes de citar o chefe do Estado, saudou as soberanas do evento.
— Peço licença ao governador. Quero saudá-las antes. Elas conferem alegria a esta festa, com beleza e simpatia.
Dilma não poupou elogios aos empresários e produtores rurais, a quem chamou de "pioneiros" — aliás, elogiar foi o que mais fez no discurso. Chamou a todos de "meus amigos e minhas amigas", disse ter orgulho da qualidade das ruas de Caxias, dos vinhos e das máquinas agrícolas e ônibus produzidos na cidade.
— São 80 anos de festa. Vivemos um momento de respeito ao povo de Caxias e aos imigrantes que fazem parte da historia deste país. Eu tenho o dever de participar desta festa.
Após a cerimônia, acompanhada dos ministros da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e do Turismo, Gastão Vieira, ela dedicou 30 minutos da agenda para visitar os pavilhões das uvas e máquinas agrícolas. Por último, conversou com agricultores.
Por volta das 19h, embarcou no avião presidencial no Aeroporto Regional Hugo Cantergiani com destino a Porto Alegre, onde passará a noite, sem compromissos oficiais. Ela deve jantar com o ex-marido Carlos Araújo, aniversariante no próximo sábado. Na manhã de sexta-feira, segue direto para a Bahia, para o recesso de Carnaval.












