O eleito de Pelotas03/11/2012 | 13h37

Conheça a biografia precoce do novo prefeito de Pelotas, Eduardo Leite

Eleito no município concorreu a vereador aos 19 anos e chegou à prefeitura aos 27

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Antes de sair de casa na última quarta-feira, Eduardo Leite para em frente ao espelho, alinha a gola, confere o caimento do blazer e ajeita a camisa presa para dentro da calça jeans. O homem mais popular de Pelotas desde o domingo passado, quando venceu a eleição, prepara-se para receber o carinho dos eleitores nas ruas da cidade.

Resultado da mescla entre a timidez da mãe e a extroversão do pai, Eduardo Leite construiu uma personalidade carismática, porém reservada. Eleito com 110.823 mil votos, Eduardo transita entre a leveza das celebridades e a sisudez dos políticos. A preocupação com a aparência pública, acentuada nos últimos dias pela divulgação de uma foto sua sem camisa nas mídias sociais, torna-o muito simpático e pouco espontâneo.

Em GALERIA DE FOTOS, confira imagens do novo prefeito de Pelotas

Ainda pequeno percebia com naturalidade uma imagem agradável aos olhos. O caçula de três irmãos fugia do estereótipo de criança arteira. Aos 7 anos, enquanto amigos jogavam bola, Dudu, como é chamado em família, gostava de assistir repetidas vezes ao horário político gravado em fitas cassetes. O pai, Luiz Marasco Leite, candidato à prefeitura de Pelotas em 1988, guardava em casa as inserções dele no horário eleitoral. As imagens fascinavam o filho mais novo.

— Ele achava o conteúdo muito bom, mas dizia que a apresentação deixava muito a desejar — relembra o pai, professor de Direito e fundador do PSDB em Pelotas.

No passeio de domingo com os pais durante a campanha eleitoral de 1994, a criança não incomodava por brinquedos. A diversão era visitar o comitê do então candidato à Presidência, Fernando Henrique Cardoso. Eduardo queria adesivos e bandeiras de FH para brincar de ser gente grande. Na turma do Colégio São José, um dos mais tradicionais da cidade, se destacou como líder de turma e presidente do Grêmio estudantil.

A cientista política Eliana Cavalheiro Leite orgulha-se do comportamento responsável do filho. Lembra nunca ter precisado acordá-lo para ir à escola ou cobrar um tema de casa. Lica, apelido de família, não gosta de se expor, mas por trás das câmeras é ela quem organiza as reuniões familiares.

— Minha família é grande, somos 10 irmãos, e gostamos de nos reunir. É uma diversão, uma farra. E nunca pode ser um almocinho porque é tanta gente que vira festa — diz a mãe.

Aos 16 anos, a filiação no PSDB

A festa é invariavelmente animada pela banda de pagode dos Leite. Para entrar na seara do samba, Eduardo aprendeu a tocar pandeiro e também se arrisca no vocal. Apesar do estímulo familiar, Eduardo nunca foi um cara festeiro da porta de casa para fora.

— A verdade é que ele nunca se deixou levar por loucuras que, às vezes, os jovens têm o direito de praticar. A loucura dele é a política — conta o pai.

Aos 16 anos, o presente mais aguardado por Eduardo era o título de eleitor. Alcançou a idade em um sábado. Na segunda-feira fez o título. No mesmo ano, filiou-se ao PSDB, partido pelo qual concorreu a vereador em 2004, aos 19 anos, e conquistou a suplência com 2.937 votos.

Eduardo estava seduzido pela política. Convidado para trabalhar no governo de Bernardo de Souza como assessor, logo foi alçado ao cargo de chefe de gabinete. Ainda que o pai tenha sido secretário do então prefeito, no mandato da década de 1980, Eduardo gaba-se de não ser fruto de indicações políticas ou partidárias:

— Nunca fui indicado politicamente. Nada de vamos colocar o Eduardo aqui porque meu partido impôs. Foi a partir do trabalho que eu desenvolvi que consegui o reconhecimento. Sei bem o que me aguarda lá.

A postura séria e o talento prematuro renderam a Eduardo o convite para seguir no governo de Fetter Jr. em 2006, quando Bernardo se afastou da prefeitura por motivos de saúde. Nas eleições de 2008, foi eleito vereador. Mesmo integrando a base aliada, garante ter votado contra o governo Fetter e ter tido projetos de lei vetados pelo prefeito. Apesar das divergências, Fetter Jr. foi um dos responsáveis por negociar a ampla aliança de partidos em torno da candidatura de Eduardo. A conquista não altera os ideais do jovem prefeito, que promete se manter longe da política de partidarismos:

— Sou o prefeito de Pelotas, não o prefeito do PSDB.

Relação com o PSDB

Tenho meu partido, que cumpre seu papel de oposição no plano estadual e no federal, mas agora sou o prefeito de Pelotas, não o prefeito do PSDB. Preciso governar para todos que votaram em mim e para os que não votaram.

Experiência administrativa

A antessala do prefeito Fetter Jr. (PP), que era do chefe de gabinete, foi a minha sala durante dois anos. Todos os problemas da cidade antes de chegar às mãos dele passavam pelas minhas mãos. E a minha tarefa era fazer os problemas chegarem menores ou mesmo nem chegarem ao prefeito.

Primero ato de governo

Quero ser o prefeito da saúde. Isso envolve fazer com que os postos de saúde tenham médico. Pelotas perde profissionais por causa da baixa remuneração. Também quero garantir a construção no primeiro ano de governo de duas UPAs (Unidade de Pronto atendimento), que vão receber aquelas doenças que não são de urgência para hospitais, nem tão simples para os postos.

Papel da vice

Quando convidei a Paula (Mascarenhas) para ser minha vice, falei para ela: "Te quero junto comigo porque eu vi a tua dedicação diante do Bernardo de Souza (ex-prefeito de Pelotas, morto em 2010)". Ela foi chefe de gabinete do Bernardo em 2005. Foi uma dedicação ao extremo, uma abnegação total em nome de um projeto para cidade. Será alguém para sofrer junto comigo.

A pouca idade

Sempre refutei qualquer tentativa de me colocar como pior por ser jovem, não foi a idade o tema central desta campanha eleitoral. O que eu consegui demonstrar, e que é próprio da juventude, foi a vontade, a disposição, a capacidade de se indignar com as coisas, esse inconformismo.

Beleza

Não me considero nenhum exemplar de beleza. Também não acho que seja feio. Isso acaba aparecendo por eu não corresponder ao estereótipo do político padrão e tradicional — que são pessoas com mais idade e com outro tipo físico. Existe a tentativa de colocar um determinado estereótipo de que quem é bonito não é inteligente. Adversários usaram "beleza não põe mesa", insinuando que a gente não tivesse conteúdo.

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