Juntos, os sete candidatos à prefeitura de Porto Alegre gastaram R$ 15 milhões na campanha deste ano, valor suficiente para erguer 10 escolas infantis públicas com 2,4 mil vagas.
De acordo com as prestações de contas encaminhadas à Justiça Eleitoral — cujo prazo de entrega expirou nesta terça-feira —, cada um deles investiu, em média, R$ 19 por voto recebido. As dívidas chegam a R$ 2 milhões.
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Em meio às cifras milionárias, o dono da campanha mais rica foi o prefeito reeleito, José Fortunati (PDT). Ao todo, sua chapa desembolsou R$ 6,2 milhões, com destaque para propaganda e material gráfico. A título de comparação, a soma se aproxima do que despenderam José Fogaça (PMDB) e Maria do Rosário (PT) juntos, em 2008. Fogaça não usou mais do que R$ 2,6 milhões.
— Não avançamos o sinal em nenhum momento e estamos com as contas em dia — pondera o presidente do comitê financeiro da campanha pedetista, Edemar Tutikian.
Mas nem todos conseguiram fechar a contabilidade. Além de amargar a derrota, as campanhas de Adão Villaverde (PT), Manuela D'Ávila (PC do B) e Wambert Di Lorenzo (PSDB) terminaram endividadas. A pior situação é a dos petistas, que devem R$ 1,4 milhão. O montante, segundo o tesoureiro José Augusto Amatneeks, deverá ser assumido pelo partido.
— Acreditamos que será possível resolver a situação em 180 dias. Ainda estamos recebendo doações, e já conversamos com os credores — afirma Amatneeks.
Quando se leva em conta a relação entre recursos injetados e votos recebidos, o candidato do PT também foi o que mais saiu perdendo. Ao todo, investiu R$ 3,9 milhões, mas teve a preferência de apenas 76,5 mil eleitores — 9,64% dos votos válidos. O custo médio por voto, portanto, chegou a R$ 51 — quatro vezes mais do que o de Fortunati.
As campanhas mais modestas foram a de Jocelin Azambuja (PSL), Érico Corrêa (PSTU) e Roberto Robaina (PSOL). Elas não passaram dos R$ 100 mil. E nenhum deixou restos a pagar. No caso de Azambuja e de Robaina, até sobrou dinheiro.
Na ponta do lápis*
Confira a seguir a prestação final de contas dos sete candidatos que disputaram a prefeitura de Porto Alegre no pleito realizado no dia 7 de outubro. Juntos, eles gastaram R$ 15 milhões. Os valores estão arredondados.
JOSÉ FORTUNATI (PDT)
Gasto — R$ 6,2 milhões
Arrecadação — R$ 6,9 milhões
Saldo — R$ 737,7 mil**
Principais doadores —Construtoras OAS (R$ 500 mil) e Cidade (R$ 324 mil), além de empresas como Arcoenge Ltda (R$ 250 mil) e Forjas Taurus (R$ 100 mil), entre outras.
Votos — 517.969
Valor médio investido por voto — R$ 12
** O valor foi repassado para a campanha dos 252 candidatos a vereador da coligação.
MANUELA D'ÁVILA (PC DO B)
Gasto — R$ 4,5 milhões
Arrecadação — R$ 3,8 milhões
Dívida — R$ 645 mil
Principais doadores — Diretório nacional do PC do B (R$ 1,9 milhão) e empresas Leyroz de Caxias (R$ 200 mil), Banco Itaú (R$ 150 mil), Vonpar (R$ 100 mil) e Forjas Taurus (R$ 50 mil).
Votos — 141.073
Valor médio investido por voto — R$ 31,90
ADÃO VILLAVERDE (PT)
Gasto — R$ 3,9 milhões
Arrecadação — R$ 2,5 milhões
Dívida — R$ 1,4 milhão
Principais doadores — Empresas Vonpar (R$ 50 mil), Toniolo, Busnello (R$ 40 mil) e Marcopolo (R$ 30 mil), além de doações individuais, entre elas R$ 50 mil de Adroaldo Mesquita da Costa Neto.
Votos — 76.548
Valor médio investido por voto — R$ 51
WAMBERT DI LORENZO (PSDB)
Gasto — R$ 428 mil
Arrecadação — R$ 275,5 mil
Dívida — R$ 152,5 mil
Principais doadores — Diretório nacional do PSDB (R$ 200 mil) e doações individuais, entre elas R$ 15 mil de José Fernando Cesar de Mattos e R$ 14,5 mil do próprio Wambert.
Votos — 19.514
Valor médio investido por voto — R$ 21,95
ROBERTO ROBAINA (PSOL)
Gasto — R$ 81,2 mil
Arrecadação — R$ 81,3 mil
Saldo — R$ 83
Principais doadores — Comitê financeiro do partido (cerca de R$ 40 mil), cujo principal doador foi o Zaffari, e Roberto Robaina (R$ 9,9 mil).
Votos — 30.577
Valor médio investido por voto — R$ 2,65
ÉRICO CORRÊA (PSTU)
Gasto — R$ 63 mil
Arrecadação — R$ 63 mil
Sem sobras
Principais doadores — Nascimento Advogados (R$ 10 mil), além de doações individuais de militantes, apoiadores e, principalmente, sindicalistas, a maioria de R$ 100.
Votos — 4.122
Valor médio investido por voto — R$ 15,30
JOCELIN AZAMBUJA (PSL)
Gasto — R$ 40,7 mil
Arrecadação — R$ 40,8 mil
Saldo — R$ 81,50
Principais doadores — Jocelin Azambuja, Luiz Carlos Machado, candidato a vice, e pessoas ligadas à coordenação de campanha. Os valores detalhados não foram informados.
Votos — 4.412
Valor médio investido por voto — R$ 9,22
TOTAL
Gasto — R$ 15 milhões
Arrecadação — R$ 13 milhões
Dívidas — R$ 2 milhões
Valor médio investido por voto — R$ 19
* Fonte: Tesoureiros, coordenadores de comitês financeiros e candidatos, consultados por ZH. Os detalhes só serão disponibilizados no site do TSE (www.tse.jus.br) para consulta nos próximos dias












