Prefeitura de Porto Alegre11/06/2012 | 22h39

Após debate interno, ala de Ana Amélia sai derrotada: PP vai apoiar Fortunati

De 107 votos, 63 foram para o pedetista e 44 para sua adversária, a deputada Manuela D'Ávila

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Após debate interno, ala de Ana Amélia sai derrotada: PP vai apoiar Fortunati Jean Schwarz/Agencia RBS
Foto: Jean Schwarz / Agencia RBS

Em uma noite marcada por expectativas e discursos divergentes, o diretório municipal do PP decidiu apoiar a candidatura à reeleição do prefeito José Fortunati (PDT) em Porto Alegre.

O resultado foi acirrado: de 107 votos, 63 foram para o pedetista e 44 para sua adversária, a deputada federal Manuela D'Àvila (PC do B), cuja principal apoiadora era a senadora Ana Amélia Lemos.

Fortunati, que estava em uma reunião na sede do PDT, rumou até a Câmara para agradecer ao resultado. Às 21h44min, ele entrou no plenário, onde foi ovacionado. Ana Amélia e o grupo que apoiou Manuela já haviam deixado o local. A senadora preferiu evitar a imprensa.

— Missão cumprida — gritaram apoiadores do prefeito.

Sorridente, Fortunati cumprimentou um a um os defensores de sua candidatura, em especial o vereador João Dib, líder do governo na Câmara, e posou para fotografias.

— Essa decisão me deixa muito feliz, porque não se trata de agregar apenas mais um partido, mas de poder contar com o partido que tem um papel importantíssimo na gestão atual. O índice de aprovação do meu governo se deve, e muito, ao PP. Seria contraditório se a decisão do PP fosse outra.

Manuela estava falando a integrantes do Instituto de Estudos Empresariais (IEE) no momento da decisão. A informação da posição do PP chegou ao evento por meio de uma ligação do chefe de gabinete da deputada ao presidente municipal do PC do B, Adalberto Frasson, presente à palestra.

A decisão começou a se desenhar às 18h30min, quando os primeiros membros do PP apareceram no plenário Ana Terra. Com pranchetas nas mãos, alguns tentavam contabilizar os votos de cada candidato. Outros, em pequenos grupos, ainda trabalhavam para convencer indecisos.

A ansiedade aumentou com a chegada de Ana Amélia. Rodeada de admiradores, ela posou para fotos e distribuiu acenos:

— Com Manuela, que é uma mulher despojada e sem preconceitos e que vai nos dar a vaga de vice-prefeito, estamos no caminho de tornar o PP um partido da grande cidade.

Minutos mais tarde, houve as manifestações a favor de um e de outro concorrente, intercalados por aplausos e gritos. Foram 18 minutos para cada lado, com quatro oradores pró-Manuela e seis pró-Fortunati.

O primeiro a falar foi o vereador João Carlos Nedel, que destacou a "experiência administrativa" do prefeito e declarou "não sintonizar" com o programa comunista. Depois dele, seguiram-se Miguel Wedy, que saiu em defesa de Manuela, e Mônica Leal, apoiadora de Fortunati. Quarto a falar, o deputado estadual Mano Changes usou do bom humor para conquistar os colegas.

O vereador Beto Moesch, que chegou a ser procurado por Ana Amélia para mudar de lado, continuou fiel ao pedetista, seguido do vereador João Dib, que se desmanchou em elogios à parlamentar do PC do B, mas reforçou os apelos por Fortunati. Minutos depois, foi a vez do ex-prefeito Guilherme Villela jogar um balde de água fria nos defensores de Manuela, lembrando as divergências ideológicas entre as duas siglas.

— Se não existe mais comunismo desde a queda do muro de Berlim, por que então ainda existem partidos comunistas? — questionou Villela, que chegou a ler o estatuto comunista, mas foi interrompido por falta de tempo.

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