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Investigação26/02/2014 | 06h22

Piratini trata incêndio de viaturas da Brigada Militar como atentado

Governador Tarso Genro disse que fogo foi criminoso, e a polícia tenta identificar responsáveis

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Piratini trata incêndio de viaturas da Brigada Militar como atentado Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Em averiguação preliminar, peritos constataram sinais de que houve mais de um foco de incêndio Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
O incêndio que danificou 10 viaturas zero-quilômetro da Brigada Militar (BM) na noite de segunda-feira, em Porto Alegre, é tratado como atentado contra a corporação. Em averiguação preliminar, peritos constataram sinais de que houve mais de um foco de incêndio, indicativo de que seria um ataque efetuado por mais de uma pessoa. Uma das suspeitas é que gente da própria BM esteja envolvida, já que o local é vigiado por policiais armados, e dificilmente um grupo civil entraria sem ser notado.

Opróprio governador Tarso Genro foi taxativo ao falar na probabilidade de atentado.

– Houve uma provocação nesse incêndio. Alguém deve ter feito aquilo. É difícil crer que tenha sido combustão espontânea dos veículos – declarou, em entrevista coletiva no Palácio Piratini, na Capital, depois da formatura de 200 alunos do ensino técnico.

A BM deslocou pelo menos 30 policiais do serviço de inteligência para investigar o incêndio, ocorrido por volta das 23h no pátio da Academia de Polícia Militar, na Avenida Aparício Borges, na zona leste da Capital. A origem do fogo deverá ser determinada pelo levantamento feito durante toda a manhã de ontem pelos peritos do Instituto-geral de Perícias (IGP) – o relatório final sai em até 30 dias. Um Inquérito Policial-militar (IPM) foi aberto pela Corregedoria de Polícia para investigar o caso.

– A hipótese de atentado é muito grande, pelas características, pelo horário – alertou o coronel Alfeu Freitas Moreira, chefe do Estado Maior da BM.

Uma hipótese quase descartada, mas ainda analisada, é que tudo tenha começado em um curto-circuito.

O fogo começou nos veículos que estavam no meio do lote de caminhonetes, todas da marca Nissan, modelo Frontier, com tração nas quatro rodas. Seis delas tiveram perda total e serão substituídas. As outras quatro ficaram danificadas, e a BM avaliará o custo do conserto de cada uma.

Veículos seriam destinados para a região da Fronteira

Além das 10 caminhonetes incendiadas, havia outros 196 veículos novos da BM estacionados em vários pontos do pátio da Academia de Polícia Militar. Os veículos devem ser distribuídos a várias unidades da corporação. Na semana passada, foram entregues 60. Em média, um veículo novo demora 30 dias para ser integrado à frota da corporação, explica o major.

– O veículo só é usado depois de passar por uma série de procedimentos técnicos, como a colocação de rádio, e legais, como a regulamentação da documentação – esclarece.

O preço de uma caminhonete equipada (com rádio, sirene e outros itens) fica ao redor de R$ 90 mil. Os veículos incendiados não tinham seguro. O coronel Freitas disse que carros usados em patrulhamento não são segurados por serem usados em uma atividade de alto risco, o que tornaria o preço da apólice muito caro.

Na manhã de ontem, o secretário da Segurança Pública, Airton Michels, visitou o local onde foram incendiadas as novas viaturas da BM. Ele não falou com a imprensa. Mas não escondeu o desconforto com a situação, informou um dos seus assessores. Os veículos estavam destinados à Fronteira – nas regiões de Bagé, Santana do Livramento e Horizontina.

Na próxima sexta-feira, 25 veículos seriam entregues em solenidade em Horizontina, no noroeste gaúcho. Duas caminhonetes dessa frota queimaram na segunda-feira. Serão entregues 23 viaturas.

Caso impune

Em julho do ano passado, vândalos lançaram coquetéis molotov no pátio da Secretaria de Segurança Pública, ao lado da Avenida Castelo Branco, destruindo dois carros patrulhas da BM. Vídeos de câmeras de segurança foram analisados, mas a má qualidade das imagens impediu a identificação de suspeitos, segundo o delegado Marco Antônio Duarte de Souza. O caso continua sendo investigado.

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