Versão mobile

Cerco ao abigeato16/12/2013 | 14h39

Final de ano intensifica furto de ovelha na Fronteira

Anualmente, bandidos levam uma tropa 14 mil bovinos e ovinos no Rio Grande do Sul

Enviar para um amigo
Final de ano intensifica furto de ovelha na Fronteira Diego Vara/Agencia RBS
Estancieira Gilda Acauan recomenda deixar as ovelhas perto da sede Foto: Diego Vara / Agencia RBS

A Polícia Civil está tentando impedir que se cumpra uma tradição natalina gaúcha: a intensificação do furto de ovelhas nos campos da Fronteira. Uma ação coordenada pela polícia entre órgãos estaduais, municipais e federais vai tentar cercar e prender os grupos de ladrões de ovelha, que são conhecidos como abigeatários — atividade criminosa que se confunde com a história do Rio Grande do Sul.

Anualmente, eles furtam uma tropa 14 mil animais (bovinos e ovinos) nos quatro cantos dos Estado. Policiais estimam que 10% desse total seja de ovelhas.

Dois fatores tornam a ovelha o alvo principal dos abigeatários nas festas de fim de ano: o gosto do gaúcho pela carne assada do animal e a facilidade do furto. Por ser um bicho de tamanho pequeno, é levado até no porta-malas dos veículos.

O alvo predileto dos ladrões são as propriedades rurais próximas às cidades onde estão estabelecidos os receptadores, a maioria pequenos açougues. Devido as condições que o animal furtado é abatido, geralmente no campo, a carne dele é considerada uma ameaça à saúde pública.

— Este fim de ano vai ser a primeira vez que teremos uma ação conjunta para combater os abigeatários de ovelhas, que costumam ser muitos ativos nesta época do ano — relata o delegado Cristiano Ribeiro Ritta, titular da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Bagé.

A delegacia tem um cartório especializado em abigeato no Rio Grande do Sul. Enquanto a polícia age, criadores do animal desenvolveram sua própria tecnologia para diminuir os prejuízos.

— Nós procuramos reunir o rebanho o mais próximo possível da casa sede da fazenda. E também colocamos ronda nos campos — comenta Gilda Bonatto Acauan, membro de uma família tradicional na criação de ovelha em Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai.

Mesmo com todo esses cuidados, durante o ano passado a família foi furtada em 120 ovelhas. Gilda é viúva do estancieiro João Jacques Rosat, um homem que deixou de lado a paixão pela criação de ovelhas devido à ação dos ladrões. Só recentemente a família retomou as atividades.

A família não é a única que voltou aos negócios da ovelha, o bom preço no mercado de carne aumentou o rebanho, nos últimos dois anos, de 3,5 milhões de cabeça para 4,1 milhões, espalhados por cerca de 50 mil propriedades, a maior parte nas fronteiras.

— Este período do ano é complicado para o produtor de ovelhas — sintetiza a situação Mauro Wagner Soriano, 54 anos, da diretoria do Sindicato Rural de Quaraí, na Fronteira Oeste.

Veja como é o trabalho de combate ao abigeato e por que o crime preocupa produtores


 

Veja as reportagens especiais sobre abigeato no Estado:

>> Furto de animais desafia a polícia no Rio Grande do Sul
>> Saiba como é a rotina de uma patrulha rural que tenta combater o furto de gado
>> Venda de carne terá controle mais rigoroso para a Copa do Mundo
>> Ação de ladrões de gado traz prejuízo a produtores gaúchos

Siga os perfis de ZH no Twitter

  • zerohora

    zerohora

    Zero HoraCorrente do bem: após crime brutal, corrente virtual defende criação de Lei Bernardo http://t.co/ltMlTNPvKBhá 47 minutosRetweet
  • zerohora

    zerohora

    Zero HoraSem sede, IGP tem mais de 3,4 mil perícias atrasadas http://t.co/TyGKXMDUZahá 1 horaRetweet
clicRBS
Nova busca - outros