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Caso Eliza05/03/2013 | 09h23

Segundo dia de julgamento tem início e goleiro Bruno pode ser ouvido

Estão previstos os depoimentos de três testemunhas nesta terça-feira — duas de acusação e uma de defesa

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Segundo dia de julgamento tem início e goleiro Bruno pode ser ouvido PEDRO VILELA/AGÊNCIA I7/ESTADÃO CONTEÚDO
De cabeça baixa, o ex-goleiro Bruno, é orientado por seu advogado Lúcio Adolfo. À direita, a ex-mulher do goleiro Dayanne Rodrigues Foto: PEDRO VILELA / AGÊNCIA I7/ESTADÃO CONTEÚDO

O segundo dia do julgamento do goleiro Bruno Fernandes e de sua ex-mulher Dayanne Rodrigues deve ser marcado por depoimentos de mais três testemunhas — duas de acusação e uma de defesa de Dayanne. Ainda existe a possibilidade de que o jogador seja interrogado durante esta terça-feira no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.

O ex-jogador do Flamengo é acusado de sequestrar e mandar matar a ex-amante Eliza Samudio. Já Dayanne é processada pelo sequestro e cárcere privado do bebê que Bruno teve com a vítima.

O goleiro chegou ao local do júri por volta das 8h20min em comboio após deixar a Penitenciária Nelson Hungria. Junto com ele estava o detento Jaílson de Oliveira, uma das testemunhas da acusação que teria ouvido uma confissão de Marcos Aparecido da Silva, o Bola, ex-policial acusado de matar e esquartejar o corpo de Eliza.

A outra testemunha da acusação a ser ouvida nesta terça é João Batista Guimarães, caseiro do sítio de Bruno. A defesa irá ouvir Célia Aparecida Rosa Sales, irmã de Sérgio Rosa Sales (primo de Bruno), réu que foi assassinado em agosto de 2012.

O primeiro dia do julgamento foi marcado por pelo menos duas acaloradas discussões entre representantes da acusação, a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues e advogados de defesa dos réus. Desde o início dos trabalhos na manhã de segunda-feira, no Fórum de Contagem (MG), defensores protagonizaram bate-bocas que levaram a magistrada a interromper a sessão algumas vezes.

A primeira discussão ocorreu antes mesmo do sorteio dos jurados que compõem o conselho de sentença, quando o assistente de acusação, o advogado José Arteiro Cavalcante, acusou um dos representantes de Bruno, Lúcio Adolfo da Silva, de “desrespeito” e ambos levantaram a voz com dedos em riste.

Durante a tarde, Silva protagonizou outro atrito, desta vez com o promotor Henry Wagner Vasconcelos, que chegou a dizer que se sentiu “ameaçado” quando o advogado, no meio do depoimento de uma testemunha, afirmou que “o bicho vai pegar” no julgamento.

A defesa de Bruno tentou principalmente mostrar contradições nas declarações da delegada Ana Maria Santos — única depoente na segunda-feira — e falhas na apuração do caso, como o fato de o ex-policial civil José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, ter sido investigado na época, mas ter sido deixado de lado na conclusão do inquérito.

Por determinação do MPE e da Corregedoria-geral da Polícia Civil, uma “investigação suplementar” está em curso para apurar a possibilidade de participação de Zezé e de outro ex-policial, Gilson Costa, no crime.

O julgamento

Local: Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (MG)

Duração: a previsão é que o julgamento termine na próxima sexta-feira

A juíza

Marixa Fabiane Lopes Rodrigues é titular da Vara do Tribunal e Júri de Contagem

O promotor

Henry Wagner Vasconcelos de Castro assumiu o caso em julho de 2012. Já atuou em mais de 300 julgamentos

Os jurados

Vinte e cinco jurados são designados a aparecer na sessão. Desses, sete são sorteados na hora para participar do julgamento.

A vítima

Eliza Samudio — Modelo paranaense de 25 anos na época, desapareceu em 4 de junho de 2010 ao deixar um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No ano anterior, havia tido um caso amoroso com Bruno. A jovem buscava o reconhecimento do então goleiro como pai do filho dela, Bruninho, que tinha quatro meses quando ocorreu o crime

Os réus

Bruno das Dores Fernandes de Souza — Ex-goleiro do Flamengo, está preso desde 7de julho de 2010, sob suspeita de mandar matar Eliza. Em 2009, grávida, a jovem procurou a polícia reclamando ter sido vítima de cárcere privado e forçada a ingerir abortivos. A queixa resultou na condenação do goleiro pela Justiça carioca, em 2010. Em agosto, a pena de quatro anos e meio foi reduzida para um ano e nove meses, já cumpridos. Agora, Bruno responde por homicídio triplamente qualificado e ocultação do cadáver de Eliza, além do sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho dela.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão — Amigo e funcionário de Bruno, foi preso no mesmo dia do goleiro. Em novembro de 2012, foi condenado a 15 anos de prisão, sendo 12 em regime fechado, pelos crimes de sequestro e cárcere privado de Bruninho e pelo assassinato dela.

Fernanda Gomes de Castro — Ex-namorada do goleiro, foi condenada também em novembro de 2012 pelo sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio e do filho dela.

Dayanne Rodrigues do Carmo Souza — Era mulher de Bruno na época do crime. É acusada de auxiliar no cárcere de Eliza no sítio do goleiro em Esmeraldas (MG) e de ter tentado esconder o bebê após o crime. Será julgada a partir de hoje.

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola — Ex-policial civil e militar, é acusado de matar Eliza por asfixia, depois esquartejar o corpo e jogar os pedaços para cães em sua propriedade. Está preso desde 8 de junho de 2012 e será julgado em 22 de abril.

Elenilson Vitor da Silva — era caseiro do sítio de Bruno e primo de criação de Macarrão. Ele foi indiciado por sequestro e cárcere privado. O julgamento será no dia 15 de maio.

Wemerson Marques, o Coxinha — é apontado como o motorista que levou o filho do goleiro Bruno para fora do sítio. Ele responde pelos mesmos crimes que Elenilson e será julgado também no dia 15 de maio.

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