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Investigação 12/03/2013 | 11h44

Secretário culpa lei por liberação de alvará antes da aprovação de reformas na boate Kiss

A boate Kiss recebeu alvará de localização firmado pela prefeitura em 2010, mesmo sem conseguir aprovar o projeto de reforma do prédio

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Carlos Wagner e Humberto Trezzi *

Considerado braço direito do prefeito santa-mariense Cezar Schirmer, o secretário de Comunicação e Relações de Governo de Santa Maria, Giovani Mânica, prestou depoimento à Polícia Civil nesta terça-feira. O objetivo dos policiais é checar se ele teve algum envolvimento na liberação do alvará de funcionamento da boate Kiss, que incendiou em 27 de janeiro, matando 241 pessoas.

Mânica foi incisivo ao negar qualquer responsabilidade e qualquer relacionamento mais próximo com os donos da boate. Admitiu que é ex-dono de boate, que conhece Mauro Hoffmann e que frequentava uma das danceterias dele, a Absinto.

— Mas jamais estive na Kiss, nunca liberei qualquer alvará ou intercedi para qualquer documento de legalização dessa boate. Tenho minha consciência limpa, durmo tranquilo — resumiu Mânica, que atuava como chefe de gabinete do prefeito quando a danceteria obteve licença para funcionar, em 2010.

Questionado por Zero Hora sobre como a boate Kiss pode receber alvará de localização firmado pela prefeitura (uma espécie de certidão de nascimento), mesmo sem conseguir aprovar o projeto de reforma do prédio, Mânica disse que tudo foi feito dentro da lei. Ele admite, porém, que pode haver uma falha na legislação que permite que uma liberação para funcionamento aconteça mesmo sem todas as reformas exigidas serem cumpridas. Ele se refere ao fato de que fiscais da prefeitura exigiram 29 mudanças no prédio da Kiss, a maioria delas relacionadas à segurança do prédio.

— Leis foram criadas em todo o Brasil para acelerar abertura de empreendimentos, por pressão da iniciativa privada. Pode ter acontecido o mesmo em Santa Maria, inclusive em governos anteriores. Pode ser que casas noturnas tenham sido abertas, mesmo com recomendação de aprimorar a segurança. Simplificações, sem que isso tenha contrariado a legislação vigente — pondera Mânica.

Mânica trouxe junto, para o depoimento, uma lembrança de aniversário de três anos de sua filha menor e que fazia aniversário no dia do incêndio da Kiss.

— Não pude fazer a festa. Passei o dia organizando socorro aos feridos. Perdi um cunhado no incêndio. Sofri e sofro, como todos sofreram. Mas estou tranquilo de que não há responsabilidade minha nesse episódio e que não há motivos para eu ser indiciado — concluiu Mânica, que depôs durante duas horas.

Os policiais consideram que o depoimento evidencia que setores da prefeitura não se comunicavam uns com os outros.

— Ficou claro que é uma bagunça, uma vergonha — opina o delegado Sandro Meinerz, que cuida do caso.

* carlos.wagner@zerohora.com.br ; humberto.trezzi@zerohora.com.br


VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria



Clique na imagem e confira o perfil das outras 241 vítimas:

 
Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


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