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Tragédia em Santa Maria16/03/2013 | 18h10

Polícia Civil aproveita mutirão no Hospital Universitário de Santa Maria para ouvir testemunhas

Cerca de 160 pessoas tinham consultas agendadas para este sábado e domingo em Santa Maria

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Polícia Civil aproveita mutirão no Hospital Universitário de Santa Maria para ouvir testemunhas Fernanda Ramos/Especial
O Hospital recebeu pela segunda vez o mutirão do Ministério da Saúde para atender as vítimas que tiveram contato com a fumaça tóxica em 27 de janeiro, no incêndio da boate Kiss. Foto: Fernanda Ramos / Especial

O Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) recebe, neste fim de semana, profissionais da saúde do município, do Estado e da União para o mutirão de atendimentos às pessoas que entraram em contato com a fumaça tóxica liberada no incêndio da boate Kiss.

Além dos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e farmacêuticos, policiais civis também estiveram no hospital para ouvir aquelas pessoas que ainda não tinham prestado depoimento sobre a tragédia.

O coordenador de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde, José Eduardo Fogolin, afirma que este segundo fim de semana de atendimentos contempla o número de pessoas até então cadastradas junto ao Ministério da Saúde. Até sábado, 540 pessoas tinham preenchido o cadastro, 271 foram atendidos no primeiro mutirão, e 164 tinham consultas agendadas para este fim de semana.

Os demais marcaram atendimento para dias de semana. Fogolin ressalta que o cadastro nunca será encerrado e o acompanhamento dos pacientes vai durar cinco anos.

É importante que todas as pessoas que estiveram dentro ou próximo à boate, mesmo aquelas que não perceberam nenhum sintoma desde o dia 27 de janeiro, respondam o formulário no site do Ministério da Saúde.

Com o cadastro, a consulta é agendada e, depois dos exames, é definida a periodicidade dos retornos ao médico e como será o tratamento. Há casos que precisam de consultas semanais, outros, uma vez por mês, e há ainda aqueles que precisarão voltar ao Husm apenas dentro de um ano, de acordo com Fogolin:

— Pode ser que a pessoa não tenha associado determinado sintoma ao incêndio. Não é só tosse ou dificuldade para respirar que podem revelar um comprometimento do pulmão, mas também tonturas, secreção nas vias respiratórias, dor de cabeça, dores localizadas no corpo e também aqueles quadro psicossociais, como tristeza profunda e desânimo. Tudo isso é examinado para que o atendimento seja completo.

Depois da primeira consulta, o paciente é encaminhado para diferentes profissionais e faz todos os exames necessários. Durante o mutirão, também é possível encaminhar o pedido de medicamentos junto às farmacêuticas da Secretaria Estadual de Saúde, que também estão de plantão no Husm.

Quem receber atendimento fora do mutirão poderá buscar os remédios necessários na farmácia do município ou na 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), conforme Gabriela Schmitt, da Coordenação de Política da Assistência Farmacêutica da Secretaria da Saúde do Estado.

Polícia ouviu pacientes no Husm

Durante a manhã e a tarde de sábado, três policiais civis fizeram plantão no Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) para facilitar o encontro com as pessoas que estiveram na boate Kiss na noite de 26 para 27 de janeiro e ainda não tinham prestado depoimento à Polícia Civil.

Na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) outros seis policiais estavam de plantão para ouvir as testemunhas que moram fora e vieram a Santa Maria para o mutirão.

De acordo com a Polícia Civil, a decisão de ouvir as pessoas no Husm foi tomada a partir da experiência do fim de semana anterior, em que os policiais estavam de plantão apenas na delegacia. No Husm, por outro lado, o acesso fica mais fácil para quem não é da cidade e veio apenas para o atendimento médico. Na tarde de sábado, os policiais abordavam todas as pessoas que passavam pelo ambulatório dedicado às vítimas da tragédia.

Mesmo quem ainda se sente vulnerável e não deseja falar em depoimento pode dar uma informação valiosa para a polícia, que deseja saber quantas pessoas, afinal, estavam dentro da boate na noite do incêndio.

Quem esteve na boate no dia da tragédia e ainda não entrou em contato com a polícia pode telefonar para o número (55) 3222-1645 para informar que é testemunha. Para este domingo, a polícia ainda não decidiu se vai estar no Husm ou se receberá as testemunhas apenas na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA).

Como se cadastrar

As pessoas que tiveram algum contato com o gás tóxico liberado devido ao incêndio na Kiss precisam se cadastrar no site do Ministério da Saúde, para receber atendimentos clínico e psicossocial. Veja como:

— Acesse o site do Ministério (saude.gov.br) e procure a sessão "Destaques", no canto direito

— Clique no link "Cadastro Santa Maria"

— Acesse o Formulário de Cadastramento

— Após preencher o formulário, aguarde a tela de confirmação. Somente se aparecer a mensagem de confirmação seus dados terão sido gravados

— Se preferir, faça o cadastro pela Ouvidoria do SUS, no telefone 136

VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria



Clique na imagem e confira o perfil das outras 241 vítimas:

 
Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


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Em site especial, confira todas as notícias sobre a tragédia

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