Na tarde de ontem, ainda bastante emocionado, Bruno Crixel Zimpel, 27 anos, recebeu a reportagem de Zero Hora na casa da avó de Lauane Custódio Lucas, 22 anos, assassinada na noite da última segunda-feira. Acompanhado dos pais e do irmão da jovem, Bruno contou como aconteceu o assalto que terminou na trágica morte da namorada.
Lauane Custódio Lucas, 22 anos
Foto: Arquivo Pessoal
Zero Hora — Como tudo aconteceu?
Bruno Crixel Zimpel — A gente chegou na Rua São Luís um pouco depois das 21h. A Lauane saiu antes do carro porque seria difícil descer no local onde eu estacionaria. Ela já tirava a chave e ia se preparando para abrir o portão do prédio. Quando fechei a porta do carro, senti que tinha uma certa maldade nas pessoas que se aproximavam. Eles iam em direção à Rua Luiz de Camões, pelo mesmo lado da calçada, quando um deles puxou a arma e disse: "Eu quero a chave, eu quero o carro". Ele não parecia estar normal. Parecia drogado, pois estava transtornado.
ZH — Em algum momento vocês reagiram?
Bruno — Eu não tentei correr, não chutei, não empurrei, não fiz nenhum movimento brusco. Segui aquilo que a gente sabe que deve ser feito: nada. Apenas me desloquei em direção ao portão para jogar a chave para ele. Ele levaria o carro e estaria tudo certo. E aí veio um estrondo muito forte. Eu não senti nada, mas vi que a Lauane caiu no chão. Achei que ela tivesse desmaiado de susto, porque corri para cima dela e comecei a apalpá-la para ver se eu achava sangue. Mas não tinha nada. Ela já respirava com dificuldade, e o sangue começou a escorrer pelo meu braço. Foi aí que percebi que eu tinha tomado um tiro. Mas não tinha nenhuma marca nela. Então comecei a gritar por socorro.
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ZH — O atendimento veio rápido?
Bruno — Em questão de segundos chegou alguém. Avisei que os pais da Lauane moravam naquele prédio e pedi para chamá-los. Meu braço começou a doer e eu continuava implorando para que cuidassem da Lauane. Primeiramente chegou a Brigada Militar, depois chegou o Samu, que foi direto atendê-la. Passei a ter atendimento quando a segunda ambulância chegou. Perguntei por que não levavam a Lauane para o hospital, se ela não estava respondendo. E aí um dos homens me disse que não poderia tirá-la daqui. Se tirasse, ela morreria. E aí me levaram para o hospital.
ZH — Quando você ficou sabendo que ela havia morrido?
Bruno — Eu fui saber somente quando estava dentro do hospital. Eu perdi a noção do tempo, pois me deram morfina e outros medicamentos. Mas eu sempre estava perguntando pela Lauane. Até que uma hora uma tia teve acesso ao local onde eu estava. Então eu puder perguntar como ela estava. Minha tia não respondeu nada. Foi assim que eu fiquei sabendo.
ZH — Você lembra da fisionomia de alguém?
Bruno — Eu foquei em um rapaz. Como ele tinha a arma na altura do peito, acabou ficando gravada na minha memória a camisa que ele vestia. Era uma do Milan (clube de futebol italiano), dourada, da marca Adidas. Ele também vestia um boné de aba larga, por isso era difícil de ver o rosto. Eu sei que outras pessoas estavam com ele, mas não sei quantas, nem como eram. Depois do estrondo, eu não vi mais nada, nem mesmo para que lado correram.
ZH — Algum pertence foi levado?
Bruno — Aparentemente nada. Ele não levou minha carteira, nem a chave do carro. Até agora não encontrei meu celular, que é um aparelho velhíssimo, mas acredito que não tenha sido roubado. Acho que sumiu, caiu pelo chão. O carro estava todo aberto, ficou escancarado na frente dele.
ZH — Como você encarava a questão da segurança?
Bruno — Sempre fui muito preocupado com isso. Vivia buscando e trazendo a Lauane dos lugares e sempre pedia que tivesse cuidado ao pegar ônibus. Podendo estar junto, eu estava sempre. Na minha ingenuidade, acreditava que, estando comigo, ela estaria mais segura. Ainda mais sendo mulher e bonita como era. Só que não pude fazer nada. E isso é o mais revoltante, porque a gente se sente impotente. O sentimento de insegurança só cresce. A vida está banalizada. O cara atirou. Nada importava. Atirou para matar, sem pensar se ela merecia ou não morrer. Indignação. É o que resume.













