A Justiça está diante de um impasse.
Enquanto o Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), órgão oficial do Estado, atesta que o bioquímico Ênio Luiz Carnetti, 47 anos, acusado de matar a mulher e o filho, em julho de 2012, na zona sul de Porto Alegre, é uma pessoa normal, a defesa alega que ele tem problemas mentais, com base em parecer de um médico particular.
A controvérsia foi a tônica da audiência judicial realizada na sexta-feira na 1ª Vara do Júri da Capital, na qual foram interrogadas testemunhas de defesa e de acusação, familiares do acusado e das vítimas, a enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, 39 anos, e o filho, Mateus Calixto Carnetti, cinco anos. Ao depor, o bioquímico preferiu o silêncio.
Para eliminar a dúvida, a juíza substituta da 1ª Vara do Júri da Capital, Cristiane Busatto Zardo, decidiu encaminhar novos documentos ao IPF, para depois decidir se Carnetti vai ou não a júri popular.
O bioquímico acompanhou parte dos depoimentos. De braços cruzados e olhar assustado, chorou quando o pai dele, Vilson Carnetti, afirmou que o bioquímico “dava a vida” pelo filho. Ao ser chamado, o bioquímico avisou que se manteria calado, mas aceitou as perguntas de praxe de identificação como nome, endereço e profissão. Questionado sobre o estado civil, demorou alguns segundos e respondeu: viúvo.
Durante o dia, a coleta de depoimentos revelou detalhes do crime. De acordo com o pai de Márcia, o servidor público aposentado João de Carvalho Calixto, 71 anos, a filha pretendia se separar de Carnetti, situação que o bioquímico não aceitava:
— Ele (Carnetti) a ameaçou de morte, dizendo que ela ia para o céu.
Márcia foi esfaqueada no peito quando estava ajoelhada ou sentada no chão. Em seguida, o bioquímico teria desferido três golpes no peito do filho. Carnetti tirou as roupas dele e do filho, jogando-as a um canto. Depois, trocou as vestes do menino e o colocou deitado de lado na cama, ajeitando as mãos, os joelhos e a coberta, fazendo de conta que a criança morreu dormindo.
Foram interrogadas 17 pessoas, entre elas o psiquiatra Luiz Carlos Coronel. Ele afirmou que o laudo do IPF foi incompleto e que Carnetti, no dia do crime, estava sob surto psicótico.
Márcia com o filho Matheus
Foto: Arquivo Pessoal













