A gíria "saque rápido" tem um sentido diferente do bancário para os funcionários de postos de combustíveis da Capital. Com ela é definida a ação dos assaltantes que, só em 2013, já realizaram 68 roubos contra esse tipo de estabelecimento.
Câmeras de vigilância, seguranças e um grande número de funcionários ou clientes não impedem a ação dos grupos normalmente formados por duplas em motocicletas.
Desde dezembro, quando o número de assalto a postos disparou, um certo conformismo toma conta dos proprietários e frentistas. Indefesos diante da arma apontada, eles criaram maneiras de amenizar o prejuízo.
Enquanto estão na pista, atendendo os motoristas, os funcionários guardam o dinheiro no bolso. É o que, quase sempre, é entregue aos bandidos.
– Ficamos com no máximo R$ 300 no bolso. Quando passa disso, guardamos no cofre. Também não dá para ficar com pouco dinheiro, senão eles (assaltantes) reclamam, ameaçam e querem levar algo do cara – conta Rafael Santos de Mattos, 32 anos, funcionário de um posto 24h na Avenida Protásio Alves, zona leste da Capital.
O posto onde Mattos trabalha há um ano e dois meses foi alvo dos bandidos no final de fevereiro. Desta vez, ele foi o escolhido pelo homem que desceu de um carro enquanto o comparsa aguardava no veículo para a fuga. Neste dia, ele lembra que havia seis funcionários na área das bombas de combustíveis, além das câmeras.
Em um posto da Avenida Farrapos a apreensão é maior ainda. Sozinho, Alexsandro Oliveira Neves, 24 anos, dá conta de atender os clientes entre as 22h e as 6h. Com a abertura de uma loja de conveniência em breve, ele prevê que o trabalho ficará ainda mais perigoso. Até mesmo uma palestra foi ministrada aos funcionários.
– Disseram que não devemos reagir e é para dar tudo que quiserem. Orientaram a ficar com o mínimo de dinheiro na mão e guardar rapidinho no bolso – recorda.
Até ontem, haviam sido registrados três assaltos em março – em estabelecimentos nas avenidas Assis Brasil, Antônio de Carvalho e do Forte.
Operação busca coibir ataques
Para tentar limitar a ação dos bandidos, a Brigada Militar (BM) começou a realizar, no final de janeiro, a Operação Pré-Sal. De acordo com o tenente-coronel João Batista Rocha Vasconcellos, que responde pelo Comando de Policiamento da Capital (CPC), os policiais buscam suspeitos em dias e horários em que o crime é mais comum.
– Agimos com o efetivo de inteligência e com o operacional, para ir aos locais certos. Normalmente, os assaltantes já têm antecedentes criminais e estão em uma faixa entre os 15 e 25 anos – afirma.
Barreiras e inspeções nos postos são estratégias que devem continuar sendo usadas para combater os assaltos aos estabelecimentos. Há também uma comunicação entre a BM e o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no RS (Sulpetro), para que todos locais atacados sejam mapeados.
– Notamos uma redução (recente). Antes, chegávamos a ter seis assaltos por semana – avalia o presidente do Sulpetro, Adão Oliveira.













