Meinerz chegou à delegacia às 8h25min de sexta-feira, e o céu estava coberto por espessas nuvens. Falou pouco. Disse que o foco do depoimento era o funcionamento da fiscalização da prefeitura. Meia hora depois, Schirmer chegou e foi direto para o gabinete do delegado. Durante a conversa de cinco horas, eles tomaram um litro de café preto.
— Ele perguntava, e eu dava uma minuciosa explicação. Só depois da explicação, das dúvidas sanadas é que era escrito o conteúdo da conversa — explicou o prefeito.
Nas suas explicações para a polícia, que ocuparam quatro páginas, Schirmer falava de maneira didática, como se estivesse explicando para alunos. Mostrou a responsabilidade de cada departamento de fiscalização.
Auxiliado pela procuradora geral da prefeitura, Anny Desconzi, o prefeito falou, pausadamente, sobre as leis que regularizam as responsabilidades municipais na fiscalização. Disse que adotou a estratégia de ser didático para facilitar o entendimento da polícia sobre o funcionamento da máquina administrava, o que considera fundamental para a apuração das responsabilidades da tragédia.
Prefeito disponibilizou depoimento na internet
Schirmer também montou uma estratégia para lidar com a imprensa — uma dezena de jornalistas estavam na porta da delegacia a sua espera. Meia hora depois de começar a depor, um de seus assessores comunicou aos repórteres que aconteceria uma entrevista coletiva na delegacia.
Antes de responder à primeira pergunta, o prefeito anunciou que estava colocando o seu depoimento à disposição da imprensa no site da prefeitura. A notícia esvaziou a entrevista. O interesse dos repórteres se voltou aos delegados Meinerz e Marcelo Arigony, que estavam presentes.
Schirmer aguardou alguns minutos e depois seguiu caminhando até o seu gabinete. Foi parado várias vezes por populares que o cumprimentaram. No gabinete, o prefeito disse que a conclusão do inquérito policial será um divisor de águas neste episódio da tragédia:
— O inquérito deverá apontar as responsabilidades e, com isso, terminar um ciclo desta tragédia. O passo seguinte será a reconstrução da vida das pessoas e da cidade.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria

Clique na imagem e confira o perfil das outras 241 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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