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Tragédia em Santa Maria08/03/2013 | 19h05

Em depoimento, Cezar Schirmer adotou a estratégia de ser didático

Prefeito falava como se explicasse a alunos a responsabilidade de cada departamento

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Em depoimento, Cezar Schirmer adotou a estratégia de ser didático Jean Pimentel/Agencia RBS
O prefeito Cezar Schirmer e os delegados Marcelo Arigony e Sandro Meinerz Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
Carlos Wagner e Patric Chagas
O prefeito de Santa Maria Cezar Schirmer se preparou como se fosse um professor para depor no caso do incêndio da boate Kiss. Debaixo de uma forte chuva, Schirmer saiu do seu gabinete e caminhou 194 passos até a porta da 1ª Delegacia de Polícia Civil (1ª DP), onde conversou por cinco horas com o delegado Sandro Meinerz.

Meinerz chegou à delegacia às 8h25min de sexta-feira, e o céu estava coberto por espessas nuvens. Falou pouco. Disse que o foco do depoimento era o funcionamento da fiscalização da prefeitura. Meia hora depois, Schirmer chegou e foi direto para o gabinete do delegado. Durante a conversa de cinco horas, eles tomaram um litro de café preto.

— Ele perguntava, e eu dava uma minuciosa explicação. Só depois da explicação, das dúvidas sanadas é que era escrito o conteúdo da conversa — explicou o prefeito.

Nas suas explicações para a polícia, que ocuparam quatro páginas, Schirmer falava de maneira didática, como se estivesse explicando para alunos. Mostrou a responsabilidade de cada departamento de fiscalização.

Auxiliado pela procuradora geral da prefeitura, Anny Desconzi, o prefeito falou, pausadamente, sobre as leis que regularizam as responsabilidades municipais na fiscalização. Disse que adotou a estratégia de ser didático para facilitar o entendimento da polícia sobre o funcionamento da máquina administrava, o que considera fundamental para a apuração das responsabilidades da tragédia.

Prefeito disponibilizou depoimento na internet

Schirmer também montou uma estratégia para lidar com a imprensa — uma dezena de jornalistas estavam na porta da delegacia a sua espera. Meia hora depois de começar a depor, um de seus assessores comunicou aos repórteres que aconteceria uma entrevista coletiva na delegacia.

Antes de responder à primeira pergunta, o prefeito anunciou que estava colocando o seu depoimento à disposição da imprensa no site da prefeitura. A notícia esvaziou a entrevista. O interesse dos repórteres se voltou aos delegados Meinerz e Marcelo Arigony, que estavam presentes.

Schirmer aguardou alguns minutos e depois seguiu caminhando até o seu gabinete. Foi parado várias vezes por populares que o cumprimentaram. No gabinete, o prefeito disse que a conclusão do inquérito policial será um divisor de águas neste episódio da tragédia:

— O inquérito deverá apontar as responsabilidades e, com isso, terminar um ciclo desta tragédia. O passo seguinte será a reconstrução da vida das pessoas e da cidade.

VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria



Clique na imagem e confira o perfil das outras 241 vítimas:

 
Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


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