Versão mobile

Tragédia em Santa Maria13/03/2013 | 05h17

Delegado define como "vergonha" liberação de alvará da boate Kiss

Prefeitura de Santa Maria teria emitido documento sem aprovação da reforma

Enviar para um amigo

Delegados responsáveis pela apuração da maior tragédia da história gaúcha estão firmando uma convicção sobre a forma como o Alvará de Localização (uma espécie de certidão de nascimento de um estabelecimento) foi concedido à boate Kiss:

— É uma bagunça, uma vergonha.

A frase, proferida pelo delegado Sandro Meinerz, refere-se ao fato de a prefeitura ter emitido o documento sem aprovar o projeto de reforma apresentado pelos sócios.

— Tudo indica que, enquanto um setor da prefeitura cobrava soluções de segurança, outro setor tratava de agilizar a liberação do funcionamento da boate — diz Meinerz.

Na terça-feira, o projeto de reforma do prédio da Kiss, que estava desaparecido dentro da prefeitura, foi entregue à polícia. A análise do documento é fundamental para entender como foi concedido à boate o Alvará de Localização sem a aprovação do projeto de reforma do prédio para a instalação da danceteria. Antes, o local abrigava um cursinho pré-vestibular. Na madrugada de 27 de janeiro, a boate se incendiou, e o fogo e a fumaça mataram 241 pessoas, a maioria jovens universitários.

Feito pelas arquitetas Cristina Gorski Trevisan e Lisie Basso Vieira, o Projeto de Reforma Sem Ampliação de Área do Imóvel havia desaparecido porque estava arquivado, desde 2010, no setor de protocolos, esperando que suas autoras fossem retirá-lo. Ou seja, o documento não estava guardado junto com a papelada usada para liberar os alvarás e outras licenças da boate, que a prefeitura encaminhou à polícia.

A existência desse projeto veio à tona na semana passada, com o depoimento prestado pelo arquiteto da prefeitura Rafael Escobar de Oliveira, que disse ter recomendado 29 alterações no documento (boa parte ligada a itens de segurança, como portas de emergência).

Na segunda-feira, a arquiteta Cristina prestou depoimento à polícia e disse que o projeto começou a tramitar com o nome do primeiro proprietário da Kiss, Alexandre Costa. Depois, o nome foi trocado para Econ Empreendimento de Turismo e Hotelaria Ltda. Cristina disse que o projeto havia sido aprovado. Ontem, Lisie reforçou que o documento foi aprovado e que soube disso por Costa. A arquiteta não soube informar, porém, quem aprovou os papéis.

Zero Hora ligou e perguntou a Costa quem tinha aprovado o projeto. Ele disse que não estava interessado em falar sobre o assunto e pediu que fosse enviado um e-mail com as perguntas. O e-mail foi enviado, e o ex-dono da Kiss não respondeu.

ZH apurou que o projeto não foi aprovado, e as reformas foram feitas sem licença.

Produtor e sócio ouvidos em presídio

O produtor da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Bonilha Leão, acompanhado do advogado Gilberto Weber falou pela terceira vez à polícia nesta terça-feira – a primeira, no dia da tragédia, quando ele foi por duas vezes até a casa noturna com policiais, e a segunda, no dia seguinte ao incêndio na boate Kiss. Desta vez, o delegado Marcos Vianna esteve na Penitenciária Estadual de Santa Maria, no distrito de Santo Antão, onde Leão permanece preso preventivamente, acompanhado de um escrivão. Segundo o delegado, o produtor reforçou as versões anteriores. Em outro depoimento marcado para ontem, Mauro Hoffmann, sócio da casa noturna, não fez declarações à polícia.


VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria



Clique na imagem e confira o perfil das outras 241 vítimas:

 
Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


Veja também

Em site especial, confira todas as notícias sobre a tragédia

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros