A onda de violência provocada por ladrões de carros na Capital, em 2012, tem, ao menos, uma resposta das autoridades à altura ao terror disseminado pelos criminosos.
O juiz Carlos Francisco Gross, da 9ª Vara Criminal de Porto Alegre, condenou nesta semana a 27 anos e oito meses de prisão o assaltante Cristiano Beretta Machado.
Trata-se do autor de dois roubos de veículos em um mesmo dia, 9 de setembro. Um deles resultou na morte do servidor do Hospital de Clínicas Paulo Roberto Rosa de Oliveira, 54 anos, executado porque teria se negado a entregar a chave do veículo.
Conforme denúncia do promotor Luis Antônio Portela, a sequência de crimes praticados por Machado começou às 19h15min daquela noite, ao roubar um Clio, acompanhado de um comparsa, no bairro Rubem Berta.
Na ocasião, o dono do veículo correu risco de levar um tiro. Desacatou as ordens do bandido armado e retirou documentos e o filho pequeno que estava no banco traseiro.
Duas horas e meia depois, a segunda vítima de Machado não teve a mesma sorte. O técnico em caldeiras Paulo Roberto Rosa de Oliveira e a mulher foram abordados quando descarregavam frutas e alimentos de um Focus em frente ao prédio onde moravam, na Rua Ramiro Barcelos, bairro Santa Cecília.
Segundo testemunhas, Machado exigiu a chave do veículo. Sem entender que se tratava de um assalto, a vítima teria questionado: "Para quê vou te entregar a chave do carro?". Acabou morta com três tiros, um na cabeça. O assaltante e o comparsa fugiram sem levar nada.
Com antecedentes por assalto, Machado era foragido do regime semiaberto e foi preso 16 dias após o crime. Ele foi pego após furto a uma ótica acompanhado de uma mulher — em fevereiro de 2010, Machado já havia sido preso em flagrante sob suspeita de ferir a tiros um oficial do Exército ao tentar roubar a motocicleta da vítima.
Interrogado sobre o roubo do Clio e a morte de Oliveira, ele negou a autoria dos dois crimes. Alegou que estava na praia quando aconteceram. Familiares disseram o mesmo, mas como o bandido tinha sido reconhecido por testemunhas nos dois casos, a versão foi desconsiderada.
— Esse criminoso estava foragido desde março. Foi condenado por assalto à mão armada e começou a cumprir a pena no semiaberto. Como não existe vaga, ele foge — lamenta o promotor Portela.








