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Goleiro na defesa03/03/2013 | 21h38

Bruno volta ao tribunal pela morte de Eliza Samudio

Julgamento do jogador, iniciado em novembro e suspenso pela troca de advogado, será retomado nesta segunda-feira

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Bruno volta ao tribunal pela morte de Eliza Samudio Vagner Antonio/Tribunal de Justiça de Minas Gerais
O réu (de vermelho, ao lado da ex-mulher, Dayanne) no início do júri, em novembro passado Foto: Vagner Antonio / Tribunal de Justiça de Minas Gerais

O ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes volta para o banco dos réus nesta segunda-feira para ser julgado pelo crime que abalou o país em 2010.

O júri ocorrerá na pequena cidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o goleiro está preso desde julho de 2010.

O caso policial diz respeito ao desaparecimento da modelo paranaense Eliza Samudio, 25 anos, que teria sido sequestrada e morta em Minas Gerais em 10 de junho daquele ano. Eliza era ex-amante do jogador e mãe de um menino de quatro meses que ela afirmava ser filho de Bruno.

No julgamento, que se inicia às 9h de segunda-feira, 15 testemunhas serão ouvidas. A mais esperada é Jorge Luiz Lisboa Rosa, 19 anos, primo de Bruno. Jorge é considerado testemunha-chave no processo, porque foi o primeiro a afirmar que Eliza não tinha simplesmente desaparecido. Ele mudou o depoimento diversas vezes durante as investigações. Em entrevista ao Fantástico, exibida no último dia 24 pela RBS TV, ele afirmou que Bruno sabia que o crime estava sendo planejado.

A última vez que o jogador esteve frente aos jurados foi em novembro passado. Na ocasião, o amigo do goleiro, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foi condenado a 15 anos de prisão. A ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro, também foi condenada a cinco anos de prisão em regime aberto. O júri de Bruno foi adiado após ele desistir do então advogado, Rui Pimenta, no segundo dia do julgamento. O pedido de adiamento para março de 2013 foi feito pelo novo advogado a assumir o caso, Lúcio Adolfo da Silva.

- Estive ontem com o Bruno, ele está apreensivo, confiante e muito ansioso - afirmou a Zero Hora Tiago Lenoir, que trabalha junto a Adolfo na defesa do réu.

Macarrão alegou, durante seu julgamento, que foi Bruno quem o mandou entregar Eliza Samudio ao homem que a mataria. Até então, a defesa do goleiro sustentava que a acusação de assassinato não tinha fundamento, porque não havia o corpo da vítima. Mas, a partir do depoimento de Macarrão, a Justiça reconheceu a morte de Eliza e mandou expedir o atestado de óbito. Essa, segundo o advogado Lúcio Adolfo, foi uma decisão equivocada:

- A juíza se baseou nas palavras do Macarrão para admitir a morte. Ele foi condenado e está preso. Como você pode acreditar nas palavras dele?

No último dia 27, a Polícia Civil de Minas Gerais confirmou a existência de um inquérito complementar que investiga a participação de dois policiais civis na morte de Eliza. Por ser uma apuração sigilosa, os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela corporação.

O principal argumento da defesa é a ausência de provas. O Ministério Público informou que o promotor Henry Wagner Vasconcelos não vai se manifestar antes do julgamento.

 

O julgamento

Local: Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (MG)

Duração: a previsão é que o julgamento termine na próxima sexta-feira

A juíza

Marixa Fabiane Lopes Rodrigues é titular da Vara do Tribunal e Júri de Contagem

O promotor

Henry Wagner Vasconcelos de Castro assumiu o caso em julho de 2012. Já atuou em mais de 300 julgamentos

Os jurados

Vinte e cinco jurados são designados a aparecer na sessão. Desses, sete são sorteados na hora para participar do julgamento.

A vítima

Eliza Samudio - Modelo paranaense de 25 anos na época, desapareceu em 4 de junho de 2010 ao deixar um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. No ano anterior, havia tido um caso amoroso com Bruno. A jovem buscava o reconhecimento do então goleiro como pai do filho dela, Bruninho, que tinha quatro meses quando ocorreu o crime

Os réus

Bruno das Dores Fernandes de Souza - Ex-goleiro do Flamengo, está preso desde 7de julho de 2010, sob suspeita de mandar matar Eliza. Em 2009, grávida, a jovem procurou a polícia reclamando ter sido vítima de cárcere privado e forçada a ingerir abortivos. A queixa resultou na condenação do goleiro pela Justiça carioca, em 2010. Em agosto, a pena de quatro anos e meio foi reduzida para um ano e nove meses, já cumpridos. Agora, Bruno responde por homicídio triplamente qualificado e ocultação do cadáver de Eliza, além do sequestro e cárcere privado de Bruninho, filho dela.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão - Amigo e funcionário de Bruno, foi preso no mesmo dia do goleiro. Em novembro de 2012, foi condenado a 15 anos de prisão, sendo 12 em regime fechado, pelos crimes de sequestro e cárcere privado de Bruninho e pelo assassinato dela.

Fernanda Gomes de Castro - Ex-namorada do goleiro, foi condenada também em novembro de 2012 pelo sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio e do filho dela.

Dayanne Rodrigues do Carmo Souza - Era mulher de Bruno na época do crime. É acusada de auxiliar no cárcere de Eliza no sítio do goleiro em Esmeraldas (MG) e de ter tentado esconder o bebê após o crime. Será julgada a partir de hoje.

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola - Ex-policial civil e militar, é acusado de matar Eliza por asfixia, depois esquartejar o corpo e jogar os pedaços para cães em sua propriedade. Está preso desde 8 de junho de 2012 e será julgado em 22 de abril.

Elenilson Vitor da Silva - era caseiro do sítio de Bruno e primo de criação de Macarrão. Ele foi indiciado por sequestro e cárcere privado. O julgamento será no dia 15 de maio.

Wemerson Marques, o Coxinha - é apontado como o motorista que levou o filho do goleiro Bruno para fora do sítio. Ele responde pelos mesmos crimes que Elenilson e será julgado também no dia 15 de maio.

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