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Latrocínio no Partenon15/03/2013 | 14h18

"A arma estava engatilhada", diz suspeito de matar estudante de Odonto

Autor confesso diz que namorado da vítima teria feito movimento brusco ao ser abordado

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"A arma estava engatilhada", diz suspeito de matar estudante de Odonto Tadeu Vilani/Agencia RBS
Suspeitos foram ouvidos na 11ª Delegacia de Polícia Civil Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Em depoimento ao delegado Omar Sena Abud nesta sexta-feira, Ivan Paulo Martins Junior, 26 anos, autor confesso do tiro que matou a estudante Lauane Custódio Lucas, 22 anos, revelou que a arma estava engatilhada na hora em que ele e outros quatro suspeitos abordaram a vítima.

Martins e mais dois homens estão presos. Um adolescente, que também estaria envolvido no latrocínio, está na Delegacia de Polícia para Crianças e Adolescentes (Deca).

— Aí, quando vê, a arma estava engatilhada. Pedimos a carteira e ele fez um movimento e estourou, disparou. Depois saímos correndo, cada um para um lado — contou Martins.

Em uma gravação liberada pelo delegado, Martins ainda disse que, na segunda-feira, o grupo vinha pela região da Avenida Protásio Alves e estaria com a intenção cometer um assalto. Ao verem Lauane e o namorado Bruno Crixel Zimpel, 27 anos, estacionarem, resolveram abordá-los. Bruno entregou a chave do Renault Mégane, mas teria feito algum movimento que assustou os suspeitos e motivou o disparo.

O tiro atravessou o ombro de rapaz e atingiu a namorada na altura do pescoço. Depois do disparo, dois dos criminosos pegaram um táxi e os outros fugiram a pé. Além de Ivan, também serão encaminhados ao Presídio Central Adams Silveira Drey, 19 anos, e Luan Dutra Freire, 18.

Todos são moradores da Vila Conceição e já têm passagens criminais por tráfico e roubo, mesmo antes da maioridade.

O delegado Abud afirma que a identificação dos suspeitos já era conhecida. No entanto, eles se anteciparam à ação policial que estava sendo preparada para capturá-los. Conforme Abud, uma equipe de policias se inseriu na comunidade da Vila Conceição e conseguiu descobrir o nome dos envolvidos no latrocínio.

A desconfiança de que os suspeitos seriam daquela região se deu em função do local onde a arma do crime foi abandonada — no pátio de uma casa na Rua Marquês de Abrantes — e do local onde dois dos bandidos desceram do táxi, na Rua Caldre Fião, na esquina com a Paulino Azurenha.

Lauane foi assassinada ao chegar em casa, acompanhada do namorado, por volta das 21h da última segunda-feira na Rua São Luiz, bairro Partenon.

Ao meio-dia desta sexta-feira, professores e alunos do curso de Odontologia da UFRGS, onde a vítima estudava, organizaram uma manifestação para pedir mais segurança. Eles se reuniram no prédio da faculdade, que fica na Rua Ramiro Barcelos, e caminharam até o Palácio Piratini para chamar a atenção das autoridades. 

O relato do namorado de Lauane

Na tarde de quinta-feira, ainda bastante emocionado, Bruno recebeu a reportagem de Zero Hora na casa da avó de Lauane. Acompanhado dos pais e do irmão da jovem, ele contou como aconteceu o assalto que terminou na trágica morte da namorada. Confira:

"O assaltante estava transtornado", diz namorado de estudante morta


Acompanhado do pai e da mãe de Lauane (na foto, à direita, recebendo abraço de amiga), Bruno afirmou que assaltante estava "transtornado". Foto: Tadeu Vilani

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Lauane morreu na porta de entrada do prédio em que vivia com os pais — Alexandre e Eloá Lucas — e o irmão, Yago. A mãe chegou quando a área já estava tomada por luzes de viaturas. Bastou reconhecer a bermuda e o tênis que a jovem caída no chão vestia para entender o que havia acontecido.

— Aquele dia foi o nosso primeiro juntos na academia. Ela queria emagrecer para a formatura que seria no final do ano. Foi quando tudo aconteceu — lamenta Bruno.

 
Lauane Custódio Lucas, 22 anos
Foto: Arquivo Pessoal

Lauane se formaria em Odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em dezembro. Os colegas de turma se reúnem, ao meio-dia de hoje, em um protesto contra a violência em frente à faculdade. O ato será acompanhado por familiares e amigos da estudante.

— A minha filha a gente não vai ter de volta. Só nos resta ter a justiça — resume Eloá.

 
Casal foi abordado por criminosos na porta do prédio quando voltavam da academia. Foto: Jean Schwarz, Agência RBS

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