Os ataques a banco em Arroio dos Ratos e São Vendelino reforçaram o alerta nas principais instituições de segurança pública do Estado. Brigada Militar e Polícia Civil trabalham em conjunto para solucionar os dois assaltos.
O chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Júnior, investiga a possibilidade de ligação entre as duas ações, mas afirma que a hipótese só poderá ser detalhada a partir da identificação dos quatro mortos em Arroio dos Ratos. Policiais e peritos do Instituto-geral de Perícias buscavam, na manhã de sábado, indícios que pudessem levar à identidade dos suspeitos.
– As informações ainda são muito preliminares. Até agora só conseguimos identificar um dos quatro mortos, e este não tem passagem pelas prisões gaúchas. Assim, não temos como afirmar se há uma nova quadrilha ou é uma do ano passado que se rearticulou. A identificação deste indivíduo pode esclarecer isso – afirmou. No ano passado, quando houve uma onda de ataques com explosivos, a Polícia Civil desarticulou três quadrilhas. Os grupos atuavam, segundo a investigação policial, na Região Metropolitana, na Serra e no Sul. — Em São Vendelino temos os relatos dos reféns, que disseram que o veículo foi abandonado na ERS-122. A partir daí iniciamos a investigação para avançar na identificação dos responsáveis por mais este ataque — salientou Ranolfo. Segundo o delegado Joel Wagner, que comanda a investigação, o único dos mortos identificados até o final da manhã se chama Valdoir da Silva Martins, de 48 anos, natural de São Leopoldo. Os corpos dos outros três criminosos foram encaminhados ao Departamento Médico Legal (DML), em Porto Alegre, para identificação. De acordo com Wagner, a perícia ainda está contabilizando o material apreendido com a quadrilha. Além de dinheiro e munições, os bandidos tinham dois fuzis de uso restrito, um Colt e um AK, ambos de calibre 556, além de duas espingardas calibre 12 e três pistolas. A Brigada Militar também está mobilizada em função dos assaltos. Segundo o novo comandante da BM, coronel Fábio Duarte Fernandes, antes das ações criminosas da madrugada de sábado já havia informes imprecisos de que bandidos poderiam atacar tanto na Serra quanto na Região Carbonífera. O comando, de prontidão, diz ter mobilizado reforços nas duas regiões. Um exemplo dado pelo coronel para a rápida ação é o fato de os bandidos, em São Vendelino, terem abandonado, no próprio município, o veículo usado na fuga para evitar o confronto nas barreiras montadas nas rodovias serranas. Em Arroio dos Ratos, Fábio destaca o cerco ágil aos assaltantes. – A política da instituição é evitar a morte. Os assaltantes estavam bem armados e buscaram o confronto, não nos restou muita alternativa – afirmou o comandante. O coronel reforçou, ainda, que está sendo realizado um trabalho de inteligência integrada com a Polícia Civil, prosseguindo com ações iniciadas na gestão anterior. A colaboração entre as instituições tem sido essencial. — No caso da rebelião, tivemos a presença do juiz e do promotor responsável, que contribuiu para a ação da Brigada e distensionou a situação. O maior beneficiado é a segurança pública — concluiu.
Foto: Dani Barcellos/Especial









